Deuteronômio 14:21


Deuteronômio 14:21 proibia os Israelitas de comerem a carne de tudo o que eles encontrassem morto, mas permitia vender como alimento para não Israelitas. Por que o padrão duplo?


Algumas leis do Velho Testamento são difíceis de serem entendidas, principalmente porque suas bases lógicas não são claramente óbvias. Isto requer que os intérpretes examinem todas as evidências bíblicas relacionadas a essa legislação em particular, na tentativa de compreendê-la melhor. Dois tipos principais de animais estão envolvidos, puros e impuros. O regulamento é legislar o que deve ser feito com a carcaça de um animal que morreu de forma natural que foi morto por outro. A questão básica é: O que deve um Israelita fazer quando ele encontra um animal morto no campo?

1. Tocar a Carcaça Contamina:As passagens que tratam desta questão tornam claro que uma carcaça animal é uma fonte de impureza. Portanto, não deve ser tocada pelos Israelitas. Isto se aplica a animais impuros (Lv 7:21; 11:28-39), e puros (11:39). Pode-se detectar uma preocupação higiênica, mas o contato teológico de alguém com a esfera da morte o separa de um Deus que também está presente.

2. Definindo Controles Para a Legislação:Talvez o que seja surpreendente é que a proibição de tocar um animal morto não é absoluta; há condições em que isso pode ser necessário. No caso de animais impuros, tais condições não são reconhecidas. No caso de animais puros, é afirmado que sua gordura não deve ser comida pelos Israelitas, mas que ela poderia ser usada para outros fins (Lv 7:24), por exemplo, para polir couro e utensílios. O fato de haver um uso adequado e não religioso da gordura do animal sugere que a pessoa tinha que removê-la do animal entrando em contato com a carcaça. Isso não significava que não houvesse contaminação; simplesmente permitia o contato com o entendimento que a pessoa seria impura até a tarde (Lv 11:39), nesse caso com menor contaminação.

3. Eliminação da Carcaça do Animal:O que devia ser feito com a carcaça do animal? As legislações que tratam desta questão oferecem mais de uma possibilidade. Primeiro, quando os israelitas estavam no deserto do Sinai, a lei exigia que a carne do animal fosse jogada aos cães (Êx 22:31). No entanto, a lei também reconhecia que podia haver circunstâncias nas quais a carne de animais puros poderia ser uma fonte de alimento para um Israelita. Essas condições não são definidas ou estabelecidas, mas o que é estabelecido é que, mesmo em ocasiões em que a pessoa a comesse ficaria impura. Desde que, neste caso, a lei estava tratando do consumo da carne do animal, a pessoa ficava impura até a tarde e tinha que lavar suas roupas (Lv 11:39, 40).

A carne de animais puros também poderia ser dada aos estrangeiros residentes em Israel (Dt 14:21). Esta legislação específica se aplica às condições depois que os Israelitas entraram em Canaã. Comer carne não era tão comum em Israel e provavelmente era muito mais raro para o pobre. Os estrangeiros residentes geralmente eram pobres e, consequentemente, Deus fez provisão para que comessem da carcaça de animais puros. Uma vez que os estrangeiros também poderiam ter acesso ao santuário, pode-se postular que eles ficavam impuros depois de comer da carcaça. A carne de tais animais também poderia ser vendida para os estrangeiros, provavelmente porque a maioria deles teria estado em Israel para fins de negócios e poderia pagar pela carne (verso 21).

4. O Ideal de Deus Para Seu Povo:Como você pode ver, a legislação é um pouco mais complexa do que parece a princípio. A lei apontava para o ideal de Deus para Seu povo, porque Ele desejava que eles desfrutassem o melhor da vida. Ela reconhece que nem sempre pode ser possível viver à altura de um ideal em particular, mas ao mesmo tempo os lembrava – através da necessidade de pureza – que mesmo nessas ocasiões o ideal permanecia válido. Ela também nos informa que Deus espera mais daqueles que entraram em uma comunhão de concerto com Ele do que daqueles que existem fora desse relacionamento. Suas leis visam revelar o fato que somos “um povo consagrado ao Senhor, o” nosso “Deus” (verso 21, NVI).


Data: 
9/9/04
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