A Trindade nas Escrituras

Gerhard Pfandl

Gerhard Pfandl

BRI (retired)

Introdução

A doutrina da Trindade (Lat. trinitas “tri-unidade” ou “três-em-identidade”) é uma das mais importantes doutrinas da fé Cristã. Entretanto, em tempos recentes alguns Adventistas têm começando a questionar sua validade.

Na Conferência Geral de 1995 em Utrecht, Fred Allaback distribuiu um documento intitulado Não Novos Líderes Não Novos Deuses no qual ele afirma que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia não cria na doutrina da Trindade até muito tempo depois da morte de Ellen G. White.”1 “Os Adventistas Pioneiros,” disse ele, “criam que nas eras da eternidade existia apenas um ser divino. Então este ser divino teve um Filho.”2 Consequentemente Cristo teve um começo. Com respeito ao Espírito Santo, Allaback crê que o Ele é o Espírito de Deus e de Cristo não um outro ser divino.3

Realmente o mesmo ponto de vista é mantido por Bill Stringfellow,4 Rachel Cory-Kuehl,5 e Allen Stump.6 Todos eles afirmam que Jesus num ponto no tempo não existia e que o Espírito Santo é apenas uma força. Stringfellow diz: “Apenas pense, houve um certo e específico dia quando Deus criou Seu Filho... longínquo, muito longínquo e belo e histórico dia. Houve um tempo (mesmo embora seja impossível pensar nesse tão afastado passado) quando Cristo não existia.”7

O Mistério da Trindade

Embora a palavra Trindade não seja encontrada na Bíblia (nem a palavra encarnação o é), o ensino que ela descreve é claramente encontrado ali. Definida brevemente, a doutrina da Trindade significa o conceito que “Deus existe eternamente como três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, e cada pessoa é plenamente Deus, e existe um Deus.”8

A palavra “Trindade” nunca aparece nos escritos de Ellen G. White, em vez disso ela usa o termo “Divindade” que é encontrado em Romanos 1:20 e Colossenses 2:9. Através da palavra “Divindade” ela transmite a mesma ideia como é expressa pelo termo “Trindade,” que existem três pessoas viventes na Divindade. Por exemplo:

Existem três pessoas viventes do trio celestial; no nome destes três grandes poderes – o Pai, o Filho, e o Espírito Santo – aqueles que recebem a Cristo pela fé viva são batizados, e estes poderes cooperarão com os súditos obedientes do céu em seu esforço para viverem a nova vida em Cristo.9

O próprio Deus é um mistério,10 quanto mais a encarnação ou a Trindade. Contudo, não deveria isso nos perturbar porquanto os diferentes aspectos destes mistérios são clararamente ensinados nas Escrituras. Mesmo embora possamos não ser capazes de compreender de maneira lógica os vários aspectos da Trindade, precisamos tentar e entender o melhor que pudermos o ensino escriturístico a respeito de ela. Todas as tentativas para explicar a Trindade não atingirão o objetivo, “especialmente quando refletimos sobre a relação das três pessoas com a essência divina... todas as analogias nos falharão e nos tornaremos profundamente cônscios do fato que a Trindade é um mistério muito além da nossa compreensão. Ela é a glória incompreensível da Divindade.”11 Portanto, fazemos bem em admitir que “o homem não pode compreende-la e torna-la intelegível. Ela é intelegível em algumas de suas relações e modos de manifestações, mas inintelígivel em sua natureza essencial.”12

A Trindade na Escritura

Ao estudarmos a Trindade nas Escrituras precisamos estar cônscios que podemos sempre apenas alcançar um entendimento parcial do que a Trindade é. Quando ouvirmos a Palavra de Deus, certos elementos da Trindade se tornarão claros, outros permanecerão um mistério. “As coisas secretas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas aquelas coisas que são reveladas pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que possamos cumprir todas as palavras desta lei” (Dt 29:29). Onde não temos uma palavra clara das Escrituras, o silêncio é ouro.13

A. Várias Passagens do Velho Testamento

Várias passagens no Velho Testamento sugerem ou até mesmo implicam que Deus existe em mais que uma pessoa, não necessariamente numa Trindade, mas pelo menos numa unidade composta de duas partes.

1. Gênesis 1

Por toda a história da Criação em Gênesis 1 a palavra para Deus é ’Elohim, a forma plural de ’Eloha. Geralmente, este plural tem sido interpretado como um plural de majestade em vez de pluralidade. Entretanto, G. A. F. Knight tem corretamente argumentado que fazer disto um plural de majestade é ler o antigo texto Hebraico num conceito moderno, visto que os reis de Israel e Judá são todos tratados no singular no relato bíblico.14 Além disso, Knight afirma que as palavras Hebraicas para água e céu também são plurais. Gramáticos têm chamado este fenômeno de plural quantitativo. A água pode aparecer na forma de pequenas gotas ou grandes oceanos. Esta diversidade quantitativa na unidade, diz Knight, é uma maneira adequada de entender o plural ’Elohim. Isto também explica por que o substantivo singular ’Adonai é escrito como um plural.15

Em Gênesis 1:26, lemos: “Então disse Deus (singular): ‘Façamos (plural) o homem a Nossa (plural) imagem, conforme a Nossa (plural) semelhança.’” O que é significativo é a mudança do singular para o plural. Moisés não está usando um verbo no plural junto com ’Elohim, mas Deus está usando um verbo e pronomes no plural em referência a Si mesmo. Alguns intérpretes crêm que Deus está falando aqui aos anjos. Mas de acordo com a Escritura, os anjos não participaram na criação. A melhor explicação é que já no primeiro capítulo de Gênesis existe uma indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus.

2. Deuteronômio 6:4

De acordo com Gênesis 2:24, o homem e a mulher devem se “tornar uma (’echad) carne,” uma união de duas pessoas separadas. Em Deuteronômio 6:4 a mesma palavra é usada para Deus: “Ouça, ó Israel: ‘O Senhor, o nosso Deus, é o único (’echad) Senhor.” Millard J. Erickson diz: “Parece que alguma coisa está sendo afirmada aqui sobre a natureza de Deus – ele é um organismo, isso é, uma unidade de partes distintas.”16 Moisés poderia ter usado a palavra yachid (somente um, único) em Deuteronômio 6:4, mas o Espírito Santo escolheu não faze-lo.

3. Outros Textos do Velho Testamento Expressando Uma Pluralidade

Depois da queda do homem Deus disse: “Agora o homem se tornou como um de nós” (Gn 3:22). E algum tempo mais tarde, quando os homens começaram a construir a torre de Babel, o SENHOR disse: “Venham, desçamos e confundamos a língua que falam” (Gn 11:7). Cada vez a pluralidade da Divindade é enfatizada.

Em sua famosa visão do trono Isaías ouve o SENHOR perguntando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” (Is 6:8). Aqui temos Deus usando o singular e o plural na mesma sentença. Muitos estudiosos modernos aceitam isto como uma referência ao concílio celestial. Mas Deus já havia chamado Suas criaturas para receber um conselho? Em Isaías 40:13,14 o profeta parece refutar esta noção. Ele não tem necessidade de Se aconselhar com Suas criaturas, nem mesmo com os seres celestiais. O plural, portanto, embora não provando a Trindade, sugere que existe uma pluralidade de seres em quem fala.

4. O Anjo do Senhor

A frase “o anjo do SENHOR” aparece cinquenta e oito vezes no Velho Testamento, “o anjo de Deus” onze vezes. A palavra Hebraica mal’ak (“anjo”) significa simplesmente “mensageiro.” Portanto, se “o Anjo do SENHOR” é um mensageiro do SENHOR, ele deve ser distinto do próprio SENHOR. Contudo, em diversos textos “o Anjo do SENHOR” também é chamado “Deus” ou “SENHOR” (Gn 16:7-13; Nm 22:31- 38; Jz 2:1-4; 6:22). Os Pais da Igreja o identificaram com o Logos preencarnado. Estudiosos modernos o têm visto como um ser que representa a Deus, como o próprio Deus, ou como algum poder externo de Deus. Eruditos conservadores geralmente concordam que “este ‘mensangeiro’ deve ser visto como uma manifestação especial do ser do próprio Deus.”17 Se isto estiver correto, temos aqui outro indicador da pluralidade das pessoas na Divindade.

B. No Novo Testamento

A verdade na Escritura é progressiva, portanto, quando chegamos ao Novo Testamento encontramos uma imagem mais explícita da natureza Trinitária de Deus. O próprio fato que é afirmado que Deus é amor (1Jo 4:8) implica que deve existir uma pluralidade dentro da Divindade visto que o amor só pode existir num relacionamento entre seres diferentes.

No Evangelho de Mateus

(a) No batismo de Jesus, encontramos os três membros da Divindade em ação ao mesmo tempo:

Quando Ele tinha sido batizado, Jesus saiu imediatamente da água; e eis que, os céus Lhe foram abertos, e Ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e pousando sobre Ele. E subtamente uma voz veio do céu, dizendo: ‘Este é Meu Filho amado, em quem Eu Me comprazo’ (Mt 3:16-17).

O relato do batismo de Jesus é uma manifestação surpreendente da doutrina da Trindade – aqui está Cristo na forma humana, visível a todos; O Espírito descendo sobre Cristo na forma corpórea como uma pomba; e a voz do Pai falou do céu: “Este é Meu Filho amado, em quem Eu Me comprazo.” Em João 10:30 Cristo reivindica igualdade com o Pai, e em Atos 5:3, 4 o Espírito Santo é identificado como Deus. É impossível, portanto, explicar a cena no batismo de Cristo de qualquer outra maneira a não ser assumindo que ali estavam três pessoas iguais em natureza ou essência divina.

No batismo de Jesus o Pai O chamou de “Meu Filho amado.” A filiação de Jesus, entretanto, não é ontológica, mas funcional. No plano da salvação cada membro da Trindade aceitou um papel específico. É um papel para o propósito da realização de uma finalidade específica, não uma mudança na essência ou na posição. Millard J. Erickson explica desta maneira:

O Filho não se tornou inferior ao Pai durante sua encarnação terrestre, mas ele se subordinou funcionalmente à vontade do Pai. Semelhantemente, o Espírito Santo é agora subordinado ao ministério do Filho (veja João 14-16) bem como à vontade do Pai, mas isto não implica que ele seja inferior a eles.18

Os termos “Pai” e “Filho” no pensamento Ocidental carrega com eles as ideas de origem, dependência, e subordinação. Na mente Semítica ou Oriental, entretanto, eles enfatizam igualdade de natureza. Consequentemente quando as Escrituras empregam a expressão “Filho” de Deus elas reivindicam sua divindade.

(b) No fim do seu ministério, Jesus fala a seus discípulos que eles deviam ir “e fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:19). Neste rito inicial de cada crente na religião Cristã a doutrina da Trindade é claramente declarada. Primeiro, observemos que “em o nome” (eis to onoma) é singular, não plural “nos nomes.” Ser batizado no nome das três pessoas da Trindade significa a identificação de alguém com todas as coisas que a Trindade significa; é o comprometimento com o Pai o Filho e o Espírito Santo.19 Segundo, a união destes três nomes indica que o Filho e o Espírito Santo são iguais ao Pai. Seria estranho, para não dizer blasfemo, unir os nomes do Deus eterno com um ser criado (quer seja criado eternamente ou em algum ponto do tempo), e uma força ou poder nesta fórmula batismal. “Quando o Espírito Santo é colocado na mesma expressão e no mesmo nível com as duas outras pessoas, é difícil evitar a conclusão que o Espírito Santo também é visto como uma pessoa e de igual posição com o Pai e o Filho.”20

Nos Escritos de Paulo

Paulo e os escritores do Novo Testamento geralmente usam a palavra “Deus” para se referir ao Pai, “Senhor” para se referir ao Filho, e “Espírito” para se referir ao Espírito Santo. Em 1 Coríntios 12:4- 6 Paulo se refere a todos os três no mesmo texto:

Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo.
Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos.

Semelhantemente, em 2 Coríntios 13:14 ele lista as três pessoas da Trindade:

A graça do Senhor Jesus Cristo.
O amor de Deus.
A comunhão do Espírito Santo.

Embora não possamos dizer que estes textos são uma enunciação formal da Trindade, estas passagens e outras semelhantes, e.g., Efésios 4:4-6, são distintamente Trinitárias em caráter. Foi a igreja em tempos posteriores que elaborou os detalhes da Trindade, mas ela construiu sobre os fundamentos dos escritores bíblicos.

A Divindade de Cristo

O elemento crucial na doutrina da Trindade é a divindade de Cristo. Visto que a doutrina da Trindade ensina que existe um Deus em três pessoas, e que cada pessoa é plenamente Deus, é importante determinar o que as Escrituras ensinam sobre a Divindade de Cristo.

A Divindade de Cristo no Novo Testamento

Existem várias passagens no Novo Testamento que afirmam claramente a plena deidade de Cristo:

1) João 1:1-3,14.

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.” A frase introdutória “no [em+o]” (sem o artigo) nos remete para o princípio do tempo. Se a Palavra estava “no princípio,” então ela própria era sem princípio, a qual é outra maneira de dizer que ela era eterna.

“A Palavra estava com Deus” nos diz que a Palavra é uma pessoa ou personalidade separada. A Palavra não estava em (en) Deus, mas com (pros) Deus. Visto que o Pai e o Espírito Santo são Deus, a palavra “Deus” muito provavelmente inclui ambos os outros membros da Trindade.

“E a Palavra era Deus,” ou, mais literalmente “e Deus era a Palavra.” A Palavra não era uma emanação de Deus mas o próprio Deus. Embora o verso 1 não nos diga quem a Palavra é, o verso 14 claramente a identifica como Cristo. “Uma afirmação mais enfática e inequívoca da absoluta Divindade do Senhor Jesus Cristo é impossível de se conceber.”21

2) João 20:28

“E Tomé respondeu e Lhe disse, ‘Meu Senhor e meu Deus.’” Esta é a única vez nos Evangelhos que alguém diz a Cristo “meu Deus” (ho Theos mou). Quando Tomé viu o Cristo ressuscitado, o cético foi transformado num adorador. É significativo que nem Cristo na ocasião que isso aconteceu nem João quando ele escreveu o Evangelho desaprovaram o que Tomé disse. Pelo contrário, tanto quanto diz respeito a João, este episódio constituiu um ponto elevado em sua narrativa, pois imediatamente ele diz ao leitor:

E verdadeiramente Jesus fez muitos outros sinais na presença dos Seus discípulos, os quais não estão escritos neste livro; mas estes foram escritos para que vocês possam crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que crendo vocês possam ter vida em Seu nome. (20:30, 31).

Este Evangelho, diz João, é escrito para persuadir as pessoas a imitarem Tomé que chamou Jesus de “Meu Senhor e meu Deus.”

3) Filipenses 2:5-7

Embora esta passagem tenha sido escrita para ilustrar a humildade, ela é um dos textos chave do Novo Testamento para apoiar a divindade de Cristo. “Permita que esteja na mente de vocês o que também estava em Cristo Jesus, que, estando na forma (morphe) de Deus, não considerou prezar (harpagmos) ser igual a Deus, mas tornou-Se de nenhuma reputação, tomando a forma (morphe) de um escravo, e vindo na semelhança dos homens.”

Morphe “forma,” ou, “aparência visível” descreve a natureza genuína de uma coisa, sua essência. Ela “se refere não a qualquer forma mutável mas à forma específica da qual a identidade e posição dependem.”22 Morphe contrasta com schema (2:8) que também significa “forma” mas no sentido de aparência superficial em vez de essência. O substantivo harpagmos aparece somente neste texto no Novo Testamento; o verbo correspondente significa “roubar, tomar forçosamente.” No Grego secular o substantivo significa “roubar.” Entretanto, o contexto torna claro que Jesus não cobiçou, ou tentou roubar a “igualdade com Deus,” pelo contrário, Ele não tentou agarrar-Se à igualdade com Deus que Ele possuia intrinsicamente. Em outras palavras, Ele não tentou reter Sua igualdade com Deus pela força, mas “tratou como uma oportunidade para renunciar cada vantagem ou privilégio que pudesse ter resultado para Ele por meio disso, como uma oportunidade para autoempobrecimento e autosacrifício sem reservas.”23 Este é o significado de “mas tornou-Se de nenhuma reputação.” Sua igualdade com Deus era alguma coisa que Ele possuia intrinsicamente; e alguém que é igual a Deus deve ser Deus. Consequentemente, Filipenses 2:5-7 “é uma passagem que exige seu entendimento que Jesus era divino no mais completo sentido.”24

4) Colossenses 2:9

“Porque Nele habita corporalmente (somatikos) toda a plenitude (pleroma) da Divindade.” A palavra pleroma tem o significado básico de “plenitude, desempenho.” No Velho Testamento ela se refere repetidamente à terra/mar e “toda sua plenitude” (Sl 24:1; cf. 50:12; 89:11; 96:11; 98:7), que é citada em 1 Coríntios 10:26, 28. No Grego secular pleroma se refere à tripulação completa de um navio ou à quantia necessária para completar uma transação financeira. Em Colossenses 1:19 e 2:9 Paulo usa a palavra para o descrever a soma total de cada função da divindade.25 Esta plenitude habita “corporalmente” em Cristo, i.e., mesmo durante Sua encarnação Cristo retinha todos os atributos essenciais da divindade, embora Ele não os usasse para Sua própria vantagem. A plenitude da Divindade “fez sua habitação em Sua humanidade sem consumi-la ou deifica-la, ou mudar quaisquer de suas características essentiais Era facilmente visto que a Divindade habitava nessa humanidade, porque lampejos de sua glória flamejavam constantemente através de sua cobertura terrena.”26

5) Tito 2:13

Paulo descreve os santos como “antecipando a bendita esperança e o glorioso aparecimento de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (NKJV). A KJV traduz esta passagem como “o glorioso aparecimento do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo,” que têm os santos aguardando pelo Pai e o Filho. Embora esta tradução seja possível, a tradução da NKJV deve ser preferida pelas seguintes razões: (1) Os dois substantivos “Deus” e “Salvador” são ligados por um artigo, indicando que, como uma regra, os dois substantivos são duas designações de um objeto. (2) Todo o e Novo Testamento contempla ancioso a segunda vinda de Cristo. (3) O verso 14 fala apenas de Cristo. (4) Esta interpretação está em harmonia com outras passagens tais como Jo 20:28; Rm 9:5; Hb 1:8; 2Pe 1:1. Este texto, portanto, é uma declaração explícita da deidade de Cristo.

O Testemunho do Velho Testamento

Jesus não é chamado de Deus apenas no Novo Testamento mas Ele também é chamado Senhor e Deus em citações do Velho Testamento onde o Hebraico tem Yahweh ou Elohim.

1) Mateus 3:3

“A voz de alguém clamando no deserto: Prepare o caminho do Senhor.” De acordo com o verso 1, este texto proveniente de Isaías se refere a João Batista que foi o precursor de Jesus. Em Isaías 40:3 a palavra para Senhor é Yahweh. Consequentemente “o Senhor” para quem João devia preparar o caminho era nenhum outro a não ser o próprio Yahweh.

2) Romanos 10:13

“Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo.” O contexto (versos 6-12) torna claro que Paulo está pensando em Cristo quando se refere ao “nome do SENHOR.” O texto é uma citação de Joel 2:32 onde a palavra para SENHOR no Hebraico novamente é Yahweh.

3) Romanos 14:10

Neste texto Paulo faz seus leitores lembrarem que “todos nós compareceremos diante do trono de julgamento de Cristo.” Ele então adiciona uma citação proveniente de Isaías 45:23 a qual diz: “Como eu vivo diz o SENHOR, todo joelho se dobrará para mim e toda língua confessará a Deus.” Em Isaías aquele que fala é Yahweh; no livro de Romanos o texto é aplicado a Cristo.

4) Hebreus 1:8

“O teu trono, Ó Deus, é para sempre e eternamente. Deus, o teu Deus o ungiu.” Neste capítulo, sete textos do Velho Testamento são usados para apoiarem o argumento que Cristo é superior aos anjos. O quinto texto, citado nos versos 8 e 9, vêm do Sl 45:6, 7, onde um rei da casa de Davi é tratado como “Deus.” Esta é uma hipérbole poética como algumas vezes é encontrada nas cortes orientais, ou este texto está apontando para outra pessoa além do príncipe da casa de Davi do Velho Testamento?

Para os poetas e profetas Hebreus um príncipe da casa de Davi era o vice-regente do Deus de Israel; ele pertencia a uma dinastia para a qual Deus tinha feito promessas especiais extritamente ligadas com a realização de Seu propósito no mundo. Também, o que era apenas parcialmente verdade de algum rei histórico da linhagem de Davi, ou até mesmo o próprio Davi, seria realizado em sua plenitude quando o filho de Davi aparecesse em quem todas as promessas e ideais associadas com a dinastia seriam personificados. E agora finalmente o Messias tinha aparecido. Num sentido mais completo do que era possível para Davi ou algum dos seus sucessores na antiguidade, este Messias pode ser tratado não meramente como Filho de Deus (verso 5) mas na verdade como Deus, pois Ele é o Messias da linhagem de Davi e também o explendor da glória de Deus e a própria imagem de Sua substância.27

Todas estas passagens indicam que Cristo e Deus e Yahweh são um.

A Autopercepção de Jesus

Jesus nunca afirmou diretamente sua divindade, não obstante seu ensino fosse permeado por conceitos Trinitários. De acordo com a ideia Hebraica de filiação, i.e., tudo o que o pai é, o filho também é, Jesus reivindicou ser o Filho de Deus (Mt 9:27; 24:36; Lc 10:22; Jo 9:35-37; 11:4). Os Judeus entenderam que por reivindicar ser o Filho de Deus ele estava reivindicando igualdade com Deus: “Por esta razão, os judeus o mais ainda queriam mata-lo, pois não somente estava violando o sábado, mas também estava dizendo que Deus era s próprio eu Pai, igualando-se a Deus” (Jo 5:18, NVI, cf. 10:33).

Jesus repetidamente reivindicou possuir aquilo que particularmente pertence somente a Deus. “Ele falava dos anjos de Deus (Lc 12:8-9; 15:10) como seus anjos (Mt 13:41). Ele considerava o reino de Deus (Mt 12:28; 19:14, 24; 21:31, 34) e o eleito de Deus (Mc 13:20) como seus.”28 Em Lucas 5:20 Jesus perdoou os pecados do paralítico, e os Judeus baseados corretamente em Isaías 43:25 argumentaram: “Quem pode perdoar pecados a não ser Deus somente?” Consequentemente estava implícito na ação de perdão de Jesus a reivindicação de ser Deus.

A divindade de Cristo também é indicada por seu uso do tempo presente em sua resposta aos Judeus: “Antes que Abraão fosse [nascido] (genesthai) Eu sou (ego eimi)” (Jo 8:58). Ao usar os termos genesthai (fosse nascido ou tornar-se) e ego eimi (Eu sou) Jesus contrasta sua existência eterna com o início histórico da existência de Abraão. É a eternidade do ser e não simplesmente a preexistência antes de Abraão que é expressa aqui. Os Judeus pelo menos entenderam desta maneira, eles compreenderam que Jesus reivindicava ser Yahweh, o Eu Sou da sarça ardente (Êx 3:14), portanto eles pegaram pedras para mata-lo (Jo 8:59).

Finalmente, o fato que Jesus aceitou a adoração de outros é evidência que ele próprio reconhecia sua divindade. Depois que Jesus chegou aos discípulos caminhando sobre as águas, “eles o adoraram” (Mt 14:33). O homem cego cuja visão foi restaurada, depois que ele lavou seus olhos no tanque de Siloé, “O adorou” (Jo 9:38). Depois da ressurreição os discípulos foram para a Galiléia onde Jesus apareceu para eles, e “eles O adoraram” (Mt 28:17).

Repetidas vezes Jesus aceitou adoração como perfeitamente apropriada. Por meio disso ele estabeleceu reivindicação direta à divindade.

O Testemunho de Ellen G. White

  1. “Em Cristo há vida, original, não emprestada, não derivada. ‘Quem tem o Filho tem a vida.’ A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente.”29

  2. “Falando de Sua preexistência, Cristo reporta a mente através de séculos incontáveis. Afirma-nos que nunca houve tempo em que Ele não estivesse em íntima comunhão com o eterno Deus.”30

Textos Difíceis

Os antitrinitários usam uma quantidade de textos Bíblicos para apoiar sua contenda que Jesus em algum tempo na eternidade foi “gerado,” i.e., ele teve um começo e que portanto ele não é absolutamente igual a Deus.

1. Apocalipse 3:14

“Jesus, o princípio da criação de Deus.” É alegado que Jesus foi criado em algum momento no passado, que ele foi a primeira obra de Deus.

Resposta:
  1. A palavra Grega (arche) pode ser traduzida como “princípio,” “ponto de origem,” “primeira causa,” ou “soberano.” O próprio Pai é chamado de “princípio” em Ap 21:6.

  2. O mesmo título é usado para Jesus em Ap 22:13. Embora a palavra “arche” possa ter um sentido passivo, o que tornaria Jesus o primeiro ser criado, o sentido ativo da palavra o torna a primeira causa, o primeiro movedor, ou o criador. Que Jesus não é o primeiro ser criado, mas o próprio criador é o testemunho de outros textos do Novo Testamento (veja Jo 1:3; Cl 1:16; Hb 1:2).

2. Provérbios 8:22-31

“Eu fui criada.” É argumentado que esta passagem se refere a Jesus e ensina que Jesus nasceu ou foi criado.

Resposta:
  1. O contexto fala a respeito da sabedoria, não de Jesus. A personificação da sabedoria é um artifício literário que também ocorre em outras partes da Escritura. Em Salmos 85:10-13 temos “misericórdia e verdade” se encontrando, “justiça e paz” beijam uma a outra, e “e a verdade brotará da terra.” Em Salmos 96:12 “o campo” está alegre, e “todas as árvores da floresta regozijarão diante do Senhor.” (Veja também 1 Cr 16:33; Is 52: 9; Ap 20:13-14). Esta espécie de linguagem alegórica não deve ser interpretada literalmente. “Personificação é um artifício literário e poético que serve para criar atmosfera, e para avivar ideias abstratas e objetos inanimados para representa-los como se eles fossem seres humanos.”31

  2. A personificação do atributo divino da sabedoria como uma mulher começa no capítulo um: “A sabedoria clama em alta voz nas ruas, ergue a voz nas praças públicas” (1:20). No capítulo três nos é dito: “É mais preciosa do que rubis” e “todas as suas veredas são paz” (3:15, 17). No capítulo sete ele é chamada de “irmã” (7:4) e no capítulo oito a sabedoria mora junto com a prudência, outra personificação (8:12). A sabedoria personificada também é o tópico em Pv 9:1-5. Aplicar estas passagens a Jesus requer um método alegórico de interpretação bíblica que leva a posições incompatíveis com outras passagens. Foi esta espécie de hermenêutica que levou à rejeição do método alegórico de interpretação pelos Reformadores. Deve também ser observado que nenhum verso desta passagem nunca é citado no NT.

  3. Provérbios 8:22-31 contem imagem poética que precisa ser cuidadosamente interpretada. A primeira frase no verso 22 pode ser traduzida como: “O Senhor me possuia” (KJV, NIV); “O Senhor me criou” (RSV, NEB); ou “o Senhor me gerou” (NAB). O significado básico do verbo qanah é “comprar, adquirir” e consequentemente “possuir” mas as duas outras traduções são possíveis. Separadas de qanah as duas outras palavras se referem à origem da sabedoria: nasak “estabelecer” (8:23), e chil “ser nascido” (8:24, 25). O pensamento básico nesta passagem é sempre o mesmo, a sabedoria estava com Deus antes que a criação começasse. Se Deus a criou ou se ela foi gerada ou simplesmente possuida não é o foco. O que é central não é a maneira de sua origem, mas antes sua antiguidade e precedência em relação à criação realizada por Deus. Visto que a linguagem é poética e metafórica, ela não deve ser usada para estabelecer qualquer coisa concernente à suposta origem de Cristo.

  4. Ellen G. White às vezes aplicou Provérbios 8 homileticamente a Cristo, mas ela usou o texto para apoiar sua preexistence eterna. Antes de citar Provérbios 8 ela diz: “Cristo era Deus essencialmente, e no mais alto sentido. Estava Ele com Deus desde toda a eternidade, Deus sobre todos, bendito para todo o sempre.”32

3. Colossenses 1:15

“Jesus, o primogênito.” Visto que Jesus é chamado o “primogênito” (prototokos), é argumentado que ele deve ter tido um começo.

Resposta:
  1. A expressão prototokos “primogênito” neste texto é um título não uma definição de sua condição biológica. De acordo com 1:16 tudo é criado por Jesus. Portanto, ele não pode ter criado a si mesmo.

  2. O termo “primogênito” tinha um significado especial para os Hebreus. Em geral, o primogênito era o líder de um grupo de pessoas ou de uma tribo, o sacerdote na família, e aquele que recebia duas vezes mais da parte da herança do que seus irmãos. Ele tinha certos privilégios bem como responsabilidades. Algumas vezes, entretanto, o fato que alguém fosse o primogênito não importava aos olhos de Deus. Por exemplo, embora Davi fosse o filho mais jovem, Deus o chamou de “Meu primogênito” (Sl 89:20,27). A segunda linha do paralelismo no verso 27 nos diz que isto significava que ele foi tornado o rei mais exaltado. Veja também a experiência de Jacó (Gn 25:25- 26 e Êx 4:22) e Efraim (Gn 41:50-52 e Jr 31:9). Nestes casos o elemento tempo “primeiro” foi apagado. Importante era apenas a posição e a dignidade especiais da pessoa chamada de “primogênito.” No caso de Jesus, este termo também se refere à sua posição exaltada e não a um ponto do tempo no qual ele nasceu.

  3. Em Colossenses 1:18 Cristo é chamado o “primogênito dos mortos.” Embora ele cronologicamente não fosse o primeiro (Moisés e outros o tinham precedido), ele é alguém preeminente.

4. João 1:1-3.

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.” É alegado que existe uma distinção na igualdade entre Deus o Pai, que é o Deus, e Jesus, que é apenas um deus. O termo Grego para Deus (theos) é encontrado com o artigo (ho), “o Deus,” ou sem o artigo, “um deus” ou “Deus”. Em João 1:1-3 o Pai é chamado ho theos enquanto o Filho é chamado theos. Isto justifica a alegação que o Pai é Deus Todo Poderoso enquanto que Filho é apenas um deus?

Resposta:
  1. O termo theos sem o artigo também é frequentemente usado para o Pai, até mesmo no capítulo mencionado (veja Jo 1:6,13,18; Lc 2:14; At 5:39; 1 Ts 2:5; 1Jo 4:12 e 2 Jo 9).

  2. Jesus também é o Deus – Hb 1:8-9; Jo 20:28. Em outras palavras, o uso do termo Deus – com ou sem o artigo – não pode ser usado para fazer uma distinção entre Deus o Pai e Deus o Filho. Deus o Pai é theos e ho theos, e igualmente é o Filho.

  3. Frequentemente, a ausência do artigo no Grego denota qualidade especial e não deve ser traduzido com o artigo indefinido “um.”

  4. Se João tivesse usado o artigo definido cada vez que theos ocorre, ele estaria afirmando que havia apenas uma pessoa divina. O Pai seria o Filho. João 1:1 lê: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com ho theos, e a Palavra era theos.” Se João tivesse usado apenas ho theos, deveríamos ler: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com ho theos, e a Palavra era ho theos.” De acordo com João 1:14 a Palavra é Jesus. Portanto, tornando por no mesmo lugar o termo “Palavra” por “Jesus” temos a sentença: “No princípio era Jesus e Jesus estava com ho theos, e Jesus era ho theos.” Ho theos claramente se refere ao Pai. O texto modificado leria: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com o Pai.” Isto é teologicamente errado. Falando a respeito de duas pessoas da Divindade João não tinha outra escolha a não ser usar uma vez mais ho theos e na próxima vez theos. Portanto, a ausência do artigo no segundo caso não pode ser usada para argumentar contra a igualdade entre Pai e Filho.

5. João 1:14,18; 3:16,18; 1 João 4:9

“O único Filho gerado [monogenes].” É sugerido que a palavra monogenes aponta para uma geração literal de Jesus.

Resposta:
  1. A palavra monogenes significa “apenas, um de uma espécie, único.” Ela ocorre nove vezes no NT. Três vezes em Lucas (7:12; 8:42; 9:38) onde ela sempre se refere a um único filho. Cinco vezes nos escritos de João (Jo 1:14,18; 3:16,18; 1 Jo 4:9), como uma designação do relacionamento de Jesus com Deus. E uma vez em Hebreus 11:17 onde Isaque é chamado filho monogenes de Abraão. Isaque não era o único filho de Abraão, mas ele era o filho singular, o único filho da promessa. A ênfase não está sobre o nascimento mas sobre a singularidade do filho. Portanto, a tradução “só” ou “único” deve ser preferida. A tradução “único gerado” pode ter se originado com os antigos Pais da igreja e é encontrada na Vulgata. A última por sua vez influenciou traduções posteriores.

  2. O termo normal para gerado é gennao que é encontrado em Hb 1:5 e que pode apontar para a ressurreição ou encarnação de Cristo.

  3. Na LXX o termo monogenes é a tradução do Hebraico yachid o qual significa “apenas um, único” ou “amado” (cf. Mc 1:11 em conexão com o batismo de Cristo).

  4. Não é claro se monogenes se refere apenas ao Senhor histórico e ressurreto ou também ao Senhor preexistente. É de interesse notar, entretanto, que nem em João 1:1-14, nem em 8:58, nem no capítulo 17 João faz uso do termo “Filho” para o Senhor preexistente.

6. Mateus 14:33

“Tu és o Filho de Deus.” Pode o título “Filho de Deus” ser entendido literalmente?

Resposta:
  1. Este título é um título messiânico (veja Sl 2:7; At 13:33; Hb 1:5). Ele enfatiza a deidade de Jesus. Jesus usou o título muito raramente para si mesmo (apenas João, e.g., Jo 11:4). Ele é um dos muitos títulos que Jesus tinha. Para tentar entender quem é Jesus, todos eles precisam ser investigados a fim de se obter um quadro coerente. Que o título “Filho de Deus” enfatiza a deidade de Cristo é evidente de João 10:29-36. Isto é ainda mais apoiado pelo fato que o Filho é a imagem precisa de Deus sendo igual a Deus (Cl 1:15; Hb 1:3; Fp 2:6).

  2. A palavra “filho” tem um círculo amplo de significados na língua original do NT. Portanto, não é possível reduzi-lo a limites estreitos da língua Portuguesa e toma-lo como alvo de um entendimento literal. A filiação de Jesus é atestada em conexão com o nascimento (Lc 1:35), batismo (Lc 3:22), transfiguração (Lc 9:35), e ressurreição (At 13:32-33) de Cristo. A Bíblia é silente sobre a questão se este título descreve o relacionamento eterno entre Pai e Filho. Seja como for, a Escritura atribui existência atemporal a Jesus. (Is 9:6; Ap 1:17,18).

  3. Durante sua encarnação Jesus se subordinou voluntariamente ao Pai, sendo o Filho de Deus. Isto incluiu entrega das prerrogativas, mas não a natureza da deidade. O Senhor ressurreto sendo entronizado como rei e sacerdote também aceitou voluntariamente a prioridade do Pai, mas tanto ele como o Pai são – de acordo com a Escritura – personalidades coeternas e coiguais de uma Divindade.

O Espírito Santo Com o a Terceira Pessoa da Trindade

Que o Espírito Santo é uma pessoa divina, igual em substância, poder, e glória com o Pai e Filho, é manifestado do começo ao fim da Escritura.

1. O Espírito Santo é um Ser Pessoal

  1. Alguns têm questionado se o Espírito Santo é uma pessoa distinta ou apenas o “poder” ou “força” de Deus. Existe uma quantidade de versos onde o Espírito Santo é mencionado junto com o Pai e o Filho (Mt 28:19; 1 Co 12:4-6; 2 Co 13:14). Isto indica se que o Pai e o Filho são pessoas, o Espírito Santo, portanto deveria ser uma pessoa também.

  2. Frequentemente, o pronome masculino “ele” é usado em referência ao Espírito Santo (Jo 14:26; 15:26; 16:13,14), apesar do fato que a palavra para Espírito no Grego (pneuma) seja neutra e não masculina.

  3. A palavra “consolador” ou “confortador” (parakletos) uniformemente se refere a uma pessoa e não a uma força.

  4. É afirmado que o Espírito Santo falou (At 8:29), ensina (Jo 14:26), testemunha (Jo 15:26), intercede em favor de outros (Rm 8:26-27), distribui dons aos outros (1Co 12:11), e proibe ou permite certas coisas (At 16:6-7). De acordo com Efésios 4:30, o Espírito Santo também pode ser entristecido pelas pessoas. Todas estas atividades são características de uma pessoa não de uma força.

2. O Espírito Santo é Deus

A Escritura vê o Espírito Santo como Deus. Desde a eternidade Deus o Espírito Santo viveu dentro da Divindade como o terceiro membro da Trindade.

  1. Mateus 28:19 “...batizando-os em nome do Pai e do Filho e do o Espírito Santo.” Este texto coloca o Espírito Santo num nível igual com o Pai e o Filho.

  2. Pedro disse que Ananias, mentindo ao Espírito Santo, ele tinha mentido não “aos homens mas a Deus” (At 5:3-4).

  3. “O Espírito Santo é onipotente. Ele distribui dons espirituais ‘a cada um individualmente como Ele quer’ (1Co 12:11). Ele é onipresente. Ele ‘habitará’ com seu povo ‘para sempre’ (John 14:16). Ninguém pode escapar de Sua influência (Sl 139:7-10). Ele também é onisciente, porque ‘o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus’ e ‘ninguém conhece os pensamentos de Deus a não ser o Espírito de Deus’ (1 Co 2:10,11, NVI).”33

  4. Ellen G. White cria firmemente na personalidade do Espírito Santo. “Precisamos reconhecer que o Espírito Santo, que é tanto uma pessoa como o próprio Deus, está andando por estes terrenos.”34

SUMÁRIO

Hoje, a doutrina da Trindade está sendo novamente desafiada na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Nosso estudo do Velho e Novo Testamentos produziu algumas respostas claras que são firmemente apoiadas por Ellen G. White. Temos visto que a Divindade existe numa pluralidade, que Jesus é Deus, coexistente desde a eternidade com o Pai, e que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Divindade. Outras questões que tratam com alguns dos detalhes da Trindade, tal como a natureza exata do Espírito Santo; se Cristo é eternamente gerado ou não; e se sua filiação e subordinação são eternas ou não, foram deixadas sem resposta.

Textos difíceis da Bíblia são melhor compreendidos em harmonia com o restante da Escritura. É de pouco valor para a igreja causar divisão por causa de entendimentos diferentes de alguns aspectos da Divindade. Embora o mistério da Trindade nunca possa ser completamente entendido pelo homem finito, ela é uma doutrina bíblica que é apoiada pelo Espírito de Profecia e aceita pela igreja como parte das 28 Crenças Fundamentais.


  1. Fred Allaback, Não Novos Líderes Não Novos Deuses (Creal Spring, Ill, 1996), p. 11.

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  2. Ibid., p. 15.

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  3. Ibid., p. 30.

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  4. Bill Stringfellow, A Bandeira Vermelha Esta Tremulando (Spencer, TN: Concerned Publications, n.d.).

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  5. Rachel Cory-Kuehl, As Pessoas de Deus (Aggelia Publications, 1996).

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  6. Allen Stump, O Fundamento de Nossa Fé (Smyrna Gospel Ministry, s.d.).

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  7. Stringfellow, p. 15.

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  8. W. Grudem, Teologia Sistemática (Zondervan, 1994), p. 226.

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  9. Evangelismo, p. 615.

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  10. “Uma advertência contra os falsos ensinos encontra-se na carta de Paulo aos Colossenses. Declara o apóstolo que os corações dos crentes devem estar ‘unidos em amor, e a todas as riquezas da completa certeza de entendimento, para o conhecimento do mistério de Deus, e do Pai, e de Cristo; em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e conhecimento.’” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, Pacific Press Publishing Assoc., volume 8, p. 295, ênfase suprida).

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  11. Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Eerdmans, 1941), p. 88.

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  12. Ibid., p. 89.

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  13. Ellen G. White escreveu, “Existem muitos mistérios que não procuro entender ou explicar; eles são muito elevados para mim, e muito elevados para vocês. Sobre alguns destes pontos, o silêncio é ouro.” (Manuscrito Licenciado, 14, p. 179).

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