Conteúdos e Perigos do Existencialismo

Edward Heppenstall

Os perigos a serem encontrados no existencialismo Cristão não são nem óbvios nem facilmente discernidos. Pelo contrário, a reivindicação da relevância e envolvimento do existencialismo do todo da existência do homem na verdade oferece muito mais do que é desejável.

A palavra “existencialismo” é uma extensão da palavra existência.” As questões cruciais que o homem moderno enfrenta requer que ele descubra a verdadeira natureza de sua existência. Por séculos a abordagem na filosofia tem reduzido o mundo das pessoas, incluindo Deus e homem, a meros objetos do pensamento, quando conceitos são colocados em categorias de linguagem. O resultado tem sido a aplicação dos poderes racionais do homem para controlar e dirigir a vida no plano horizontal econômica, política, científica, e religiosamente. A consequência é a desumanização do indivíduo. A religião Cristã tem sido esvaziada de seu significado vital e sua relevância para a vida. Isto se deve largamente à preocupação da igreja com a busca pela infalibilidade racional, em vez de com o viver a verdade. Por que a verdade religiosa tem se tornado objetivada, o homem tem sido separado de Deus.

Existe muita verdade para esta observação crítica pelo existencialismo. A igreja tem por muito tempo operado principalmente no contexto das ideias e doutrinas, dando prioridade aos pronunciamentos formais feitos por ela e pela escola. É possível responder muitas perguntas sobre religião e vida sem lidar com a questão principal: o que do ser uma pessoa está envolvido no ser alguém. Uma filosofia racional da religião pode ser uma substituta para a coisa real. No artifício de palavras e ideias, é possível reduzir Deus a uma ideia. O esforço para formular um credo pode levar o homem a nenhuma parte. O Deus que as pessoas reivindicam crer pode se tornar para elas nada mais do que uma abstração intelectual. Esta é a grande tragédia da filosofia de acordo com o existencialismo.

O existencialismo é uma revolta contra a tentativa de compreender o significado da vida através das ideias. A afirmação é que Deus não pode ser feito um objeto do pensamento humano sem que a verdade a respeito de Ele seja distorcida. Lidar com a verdade como um objeto para ser compreendido pela lógica da mente e da linguagem é perder o relacionamento vertical com Deus; que acreditar que a realidade é alguma coisa a ser conhecida mais precisamente do que vivida é uma ilusão, negando ao homem a verdadeira natureza do significado e existência Cristãos. O homem por meio disso se torna cativo das categorias racionais, em vez de experimentar liberdade através de um relacionamento pessoal com Deus.

O existencialismo é uma filosofia que despedaça toda a segurança racional. Ele condena todas as reivindicações à verdade que evitam ou abdicam o envolvimento pessoal. Interpretar a religião Cristã em termos de ideias e doutrinas é distorcer a verdade e tomar parte de ela impossível.

Como a verdade se torna relevante? O existencialismo concentra esforços para responder esta pergunta. O que está em risco é a própria natureza do ser do homem. A realidade da verdade é experimentada quando o homem enfrenta decisões que constituem em essência uma questão de vida e morte. O existencialismo é uma filosofia de crise, onde o homem é impelido a decisões vitais, consequentemente penetrando o significado mais interior da vida, enfrentando as crises e ansiedades que confrontam a própria existência de alguém.

O contraste é entre ser um participante e ser expectador. Alguém pode declarar sua crença objetivamente sobre a natureza do homem, que ele é mortal, sujeito à morte. Ele pode escrever essa declaração, coloca-la em forma doutrinária, discuti-la como um fundamento de suas próprias conclusões lógicas a respeito do homem, tudo isto sem estar envolvido. Mas deixe que um médico declare um homem como vítima de um câncer terminal. Ele agora está envolvido na própria morte. A morte não é mais uma teoria a ser discutida. Ela agora é parte da própria existência do homem. Consequentemente, a verdade será falha se ela deixar abruptamente de assegurar o envolvimento do homem todo.

O Que é a Verdade?

O problema crucial no existencialismo se centraliza na questão de como chegar à verdade. Soren Kierkegaard, o filósofo Dinamarquês, considerado o pai do Existencialismo Cristão, escreveu que “A Verdade é Subjetividade.”

Existe a seguinte definição da verdade: uma INCERTEZA objetiva que ajuda rápido num processo de apropriação de natureza interna dos mais impetuosos é a verdade, a verdade mais elevada atingível por um indivíduo existente… A verdade é precisamente a especulação que escolhe uma INCERTEZA OBJETIVA… O caráter paradoxal da verdade é que sua INCERTEZA é uma expressão para o impetuoso interior, e esta impetuosidade é precisamente a verdade.1

De acordo com isto, o homem descobre a verdade, não pela certeza do conhecimento objetivo, mas somente pela decisão pessoal, uma “impetuosidade de natureza interna.” O envolvimento do homem vem primeiro. A verdade depende de sua validade para o homem. A verdade vem de dentro, não de fora. A decisão do homem cria de si mesma o que é existencialmente verdadeiro. A consistência racional do conteúdo bíblico como doutrina não é essencial a fim de conhecer a verdade. A verdade não é objetivamente dada na Bíblia desse modo ela é eternamente verdade. A Palavra da verdade nunca foi dada de uma vez por todas. A verdade é sempre contemporânea. Apenas a verdade de hoje, existencialmente, pode ser a Palavra de Deus. A mesma palavra amanhã poderia ser demoníaca uma vez que o encontro e o envolvimento com Deus estão perdidos.

A questão crucial é: em que ponto os homens são realmente confrontados com a verdade? No ponto do conhecimento ou no ponto da decisão? No ponto onde a verdade objetiva da Escritura é trazida para a mente, ou no ponto do envolvimento pessoal através de um ato da decisão? Qual é o fundamento da decisão correta? Em que ponto um homem é capaz de dizer se fez ou não o comprometimento impetuoso correto? Se um conceito ou doutrina Bíblica não é verdade até que se torne envolvida pelo comprometimento pessoal, então o que ela é? É a falsidade ou a verdade da ideia ou doutrina não mais relevante para o significado intrínseco da própria verdade?

A objetividade da verdade da Escritura, fixada pela própria natureza da revelação e inspiração divinas, é incompatível com esta abordagem subjetiva. O existencialismo não está desejoso de ser refreado pelo caráter normativo da Palavra de Deus. É a verdade da Escritura autônoma? O existencialismo nega isto. O que é prévio, diz o Cristianismo tradicional, é o conhecimento de e vindo de Deus, não as decisões dos homens. O último é testado pelo primeiro. A verdade permanece separada da decisão do homem. Ela possui uma harmonia preestabelecida com o Deus da Bíblia e Seu Filho Jesus Cristo. Consequentemente, crer num fundamento de conhecimento é essencial e um envolvimento pessoal anterior na verdade. Ela pode ser sujeita não obstante à participação do homem nela.

Crer que a fonte da verdade pode ser encontrada na situação humana, na decisão do homem, em vez de no movimento de Deus em direção ao homem através dos apóstolos e profetas é perigoso em extremo. Somente Deus é responsável pelo dom da verdade. Deus em nenhuma parte deixa o homem pecaminoso procurar no escuro ao redor de si mesmo pela norma ou experiência da verdade. O existencialismo despedaça a fé na verdade objetiva, nos absolutos morais, e nos princípios eternos revelados nas Santas Escrituras.

A posição Cristã tradicional declara que a crença na Bíblia como a Palavra de Deus revelada é, primeiro, uma declaração, não a respeito da existência humana numa situação contemporânea, mas um conhecimento objetivo da verdade dada por Deus existindo em e de si mesma. É admitido que o existencialismo tem um ponto que adverte contra o intelectualismo abstrato. Indubitavelmente, a importância vital de decidir pela verdade não pode ser superestimada; porém como o homem saberá que o aquilo que ele decide é realmente a verdade? Na Escritura, os princípios da verdade, moralidade, Deus, e homem, são fixados durante todo o tempo e para todos os homens. Aqui Deus fala ao homem sobre Si mesmo, quem Ele é, o que Ele fez, está fazendo, e o que Ele fará, e o que Ele requer que os homens creiam e façam. Este é o conhecimento dado do conteúdo da verdade. Ele se destina ao homem pessoalmente e requer uma resposta pessoal inteligente, um envolvimento em harmonia com o conhecimento dado e ao alcance da mente. O envolvimento verdadeiro requer obediência àquilo que é objetivamente dado. O conhecimento da verdade Bíblica envolve mais do que mero pensamento. Ele requer a vinda de toda a vida do homem para o cativeiro e harmonia com as verdades reveladas da Palavra de Deus. O subjetivismo pode conduzir apenas a um relativismo moral e a um irracionalismo sem um fundamento firme.

Quando a questão da verdade é suscitada de uma maneira objetiva, a reflexão é dirigida objetivamente à verdade, como um objeto ao qual o entendido está relacionado. Entretanto, a reflexão não é focada sobre o relacionamento, mas sobre a questão se ela é a verdade à qual o entendido está relacionado… Quando a questão da verdade é suscitada subjetivamente, a reflexão é dirigida subjetivamente à natureza do relacionamento do indivíduo… O INDIVÍDO ESTÁ NA VERDADE MESMO QUE ACONTECESSE QUE NESSE CASO ELE ESTIVESSE RELACIONADO ÀQUILO QUE NÃO É A VERDADE… O caráter paradoxal é sua incerteza objetiva.2

De acordo com isto não existe verdade universal para todos os homens. A descoberta da verdade para cada homem não se repete para ninguém mais. A verdade para um homem não se constitui norma para outro. O perigo aqui é que o homem queira se vincular àquilo que é falso. Aqui existe um abismo intransponível entre o existencialismo e a religião Cristã tradicional. Pois o existencialismo se recusa a ser refreado pelas verdades eternas da Palavra de Deus revelada.

O ponto de vista Cristão tradicional é que os eventos históricos e verdades doutrinárias da Bíblia possuem significância para os homens em todas as eras sobre o fundamento que elas constituem a verdade eterna e estabelecida de Deus. Uma abordagem à verdade digna de confiança é tanto objetiva como existencial. Se os homens devem descobrir a verdade para o coração, mente, e vida, a harmonia entre a Palavra dada e a experiência existencial é essencial. Quando apenas a última é requerida, a verdade e o conhecimento passaram para o subjetivismo despedaçador.

Se o existencialismo Cristão deve se tornar familiarizado com suas responsabilidades para tornar a verdade relevante para a vida, ele deve falar com a voz da certeza. Porém esta é uma coisa que ele não pode fazer, e nega, como uma possibilidade.

O caráter paradoxical da verdade é sua incerteza objetiva… sem risco não existe fé, e quanto maior o risco maior a fé; quanto mais segurança objetiva menos natureza interna, e menos segurança objetiva mais segurança interna profunda se torna possível.3

Em oposição direta a isto, a igreja Cristã diz aos homens em todos os lugares: “Existe a palavra segura de Deus.” Nenhum homem vive por meio daquilo que dá a impressão de ser correto aos seus próprios olhos e à sua própria experiência. Deus falou por Seu Filho e por Sua Palavra. A vida em comprometimento com esta Palavra tem somente significado e certeza reais. Se a Igreja Cristã de hoje continuamente fizesse alguma coisa para tornar a religião Cristã significativa, apenas ocorreria um retorno à verdade revelada como dada por Deus; por que somente uma verdade vinda de Deus é capaz de dar nascimento à vida espiritual e despertar no homem uma existência que esteja em harmonia com Deus.

Fragmentação de uma Autoridade Objetiva

A dependência e apelo do existencialismo ao subjetivo repudia a autoridade de qualquer corpo de crenças, ou a estabilidade das verdades eternas da Escritura. Ele é uma revolta contra os sistemas e doutrinas sobre o fundamento que tal conjunto de preceitos tende a separar o pensamento da vida. Os absolutos, os universais, são simples mentes expressões verbais, e não possuem realidade verdadeira. Apenas a palavra existencial é real e relevante. A palavra da verdade é sempre contemporânea. Ela jamais foi dada com a finalidade de ser para todos os homens.

Se o Cristianismo fosse uma doutrina, o relacionamento com ele não seria de fé, pois somente um relacionamento do tipo intelectual pode corresponder a uma doutrina… O domínio da fé neste caso não é uma classe para tolos na esfera do intelectual, ou um manicômio para o imbecil. A fé constitui toda uma esfera por si mesma, e toda incompreensão do Cristianismo pode ser de uma vez reconhecida por transforma-lo em uma doutrina, transferindo-o para a esfera do intelectual.4

Se sou capaz de compreender a Deus objetivamente, eu não creio, porém precisamente porque não posso fazer isto devo crer. Se eu desejar preservar-me na fé, devo constantemente estar concentrados em manter firme a incerteza objetiva, tanto quanto permanecer sob setenta mil braças de água, ainda preservando minha fé.5

No existencialismo, a fé e a dúvida permanecem juntas. Na Escritura, depende da certeza do que alguém crê. Os princípios da verdade na Escritura são seguros para todos os homens, crentes e descrentes. Se eles não fossem, então como alguém poderia de qualquer modo se comunicar com um descrente? Se a verdade não pudesse ser entendida sem fé, toda a discussão com descrentes seria impossível. A verdade é verdade para o crente, porque ela é reconhecível e válida para todos os homens sem levar em consideração a fé pessoal.

Para o existencialismo importa pouco o que um homem crê desde que ele creia com um envolvimento impetuoso. À luz da impecaminosidade do homem, estendida a todo o ser do homem, a decisão pessoal precisa de algum contexto moral e espiritual, alguma norma autorizativa, algum princípio orientador para testar e provar toda reivindicação de ter experimentado a verdade. Como alguém distingue entre “eu escolho” e “eu sinto” visto que a verdade é subjetividade? Na ênfase inconstante da verdade objetiva para a interioridade do indivíduo, quem ou o que corrigirá qualquer desvio da verdade ou salvará da auto decepção?

Proximidade

O existencialismo envolve um retorno à proximidade com Deus em termos de intensidade de sentimento, paixão, e frequentemente êxtase. Os envolvimentos emocionais são reivindicados ter significância para o relacionamento do homem com Deus, trazendo o homem para a própria essência do divino. Esta façanha de uma fé religiosa é realizada por meio da ontologia (ser), que afirma que o homem possui no profundo do seu ser a capacidade de acesso imediato a Deus e à realidade religiosa, uma consciência interior por meio da qual o homem pode conhecer Deus diretamente. A proximidade magnifica o milagre de alguns encontros imediatos com Deus.

Martin Buber declara:

O que é o fenômeno primal eterno, presente aqui e agora, o qual chamamos de revelação? Ele é o fenômeno que um homem não transpõe, desde o momento do encontro supremo, o mesmo sendo quando ele entra nele… Às vezes ele é como um sopro de luz, às vezes como uma luta romana, mas sempre ele acontece… O homem recebe, e ele recebe não um “conteúdo” específico mas uma Presença, uma Presença como poder.6

Emil Brunner afirma:

A revelação, como a fé Cristã a entende, é de fato, por sua própria natureza, alguma coisa que está além de todos os argumentos racionais… que pode ser alcançada somente através da auto comunicação divina.7

Conhecemos a Deus somente através da confrontação pessoal, não mais identificada com conceitos de qualquer espécie. ‘Verdade é encontro.’8

O problema levantado pelo existencialismo não é algo fácil. A Bíblia fala do testemunho interior do Espírito Santo como um fator essencial na experiência Cristã. A principal preocupação da Igreja, porém, é com a genuinidade do companheirismo com Deus. Por que deveria Igreja se opor à reivindicação da proximidade se ela conduz a um encontro com Deus?

Visto que o encontro com o sobrenatural é a reivindicação comum a todas as religiões, incluindo aquelas que não são Cristãs, como o homem determinará o que é verdadeiro e o que é falso?

O existencialismo não se relaciona com as categorias infalíveis da Palavra de Deus. Portanto ele demonstra um ponto de vista do relacionamento do homem com Deus muito diferente daquele que é revelado na Escritura. O Deus da Bíblia é o Deus que fala. Comunicação com Deus é possível apenas entre pessoas como seres racionais. Uma vez que seja insistido de acordo com a Bíblia que a razão humana deve pensar harmoniosamente com a verdade revelada da Escritura, a necessidade de dar uma verdade objetiva se torna óbvia. Deus nos confronta, não em êxtase ou impetuosidade emocional, não apenas como sujeito, mas como objeto em termos da vontade revelada e da Palavra de Deus. Qualquer reivindicação ao companheirismo com Deus que dispense a categoria racional da verdade estabelecida na Palavra de Deus está aberta à acusação de confrontação demoníaca.

E quando disserem a você, procure por aqueles que têm espíritos familiares, e por feiticeiros que chilreiam, e que murmuram; não deve o povo procurar seu Deus? … À lei e ao testemunho: se eles não falarem de acordo com esta palavra, é porque não existe luz neles.9

Rejeitando as verdades reveladas da Escritura e a natureza objetiva da revelação, o existencialismo priva o homem de qualquer critério que seja para distinguir entre a verdade e o erro, entre o Espírito Santo e o falso espírito. Se Satanás confrontar o homem como um anjo de luz em alguma forma de proximidade, como deveria o homem ser capaz de distinguir entre a voz de Deus e a voz do demônio? Se Cristo for considerado especialista neste pormenor, Seu apelo à Escritura “Está escrito” ao expor o próprio demônio, ainda se mantém verdade para os Cristãos de todas as eras. Qualquer filosofia religiosa que concebe o relacionamento do homem com Deus acima e fora da esfera da revelação conceitual dentro da Escritura deixa os homens amplamente abertos aos enganos do misticismo, sentimentalismo, e toda forma de sobrenaturalismo questionável. Em vez de recuperar a relevância da verdade, ela envolve a capitulação da verdade eterna da Palavra de Deus. O existencialismo é o solo ridicularizador para o crescimento da tendência de nossos dias que se dirige a um sobrenaturalismo professado que poderia facilmente substituir o testemunho do Espírito sobre a verdade da Escritura para o extremo da fantasia emocional e psicológica.

O Cristianismo tradicional tem sempre insistido sobre a natureza pessoal e íntima do relacionamento de Deus com o homem. Porém este relacionamento não nasce da incerteza a respeito da verdade da Escritura. Toda a “interioridade impetuosa” da iniciativa do homem sozinha não pode alcançar o Deus que fala ao homem através de Sua Palavra.

Qualquer reivindicação à proximidade separada da palavra da verdade estabelecida na Escritura, facilmente se torna enganosa, de qual quer modo não relacionada com a realidade da verdade. Se não houvesse verdade estabelecida na Escritura, que garantia poderiam os homens de que a proximidade que eles reivindicam experimentar corresponde à realidade da própria verdade? Por qual padrão devem os homens testar e corrigir esta “interioridade impetuosa?” Como os homens sabem que estes envolvimentos constituem a verdade?

Obviamente, o único padrão do existencialismo para testar sua “interioridade impetuosa” é seu próprio comprometimento impetuoso. Porém visto que os homens pecaminosos são inclinados a perverter a verdade, esta proximidade pode apenas deixar o homem num estado de incerteza total. A menos que o homem tenha acesso direto à verdade dada normativamente por Deus pela qual os homens podem testar e corrigir seus próprios sentimentos falíveis, eles são deixados às suas próprias imaginações. Quando o existencialismo declara que a única certeza que o homem tem está em seus próprios envolvimentos impetuosos, ele o expõe a mil e uma reivindicações falsas para conhecer Deus de alguma outra maneira em vez daquela revelada na Escritura.

A própria natureza do homem pecaminoso envolve restrições e limitações à natureza da comunicação divino-humana. Uma das principais preocupações da igreja Cristã deve ser pela genuinidade da comunhão com Deus, por causa da possibilidade de uma contrafação no próprio ponto onde a verdade e a integridade de caráter são tão essenciais. A igreja não deve aprovar qualquer proximidade cujo padrão não possa resistir o teste da Palavra de Deus. A comunhão Bíblica com Deus traz a mente e a vida para a harmonia com a verdade dada da Escritura. Aqui o homem obtém seu verdadeiro ser e o propósito da revelação de Deus é realizado. Aqui existem categorias eternas que não precisam de demitologização. Estas categorias pertencem aos homens em todas as eras.

Na Escritura, quando Deus condescende em Se aproximar do homem através do Espírito, do profeta, ou do apóstolo, a compreensão da mente do conhecimento racional dado por Deus é aumentada e esclarecida. Em toda parte o Espírito confirma a Palavra. Ele insiste que o Deus Homem que reivindica Se encontrar é o Deus da Escritura.

O existencialismo rejeita a priori o conhecimento de Deus na Escritura a favor de uma proximidade interior. Agindo assim, ele está em grave perigo de se tornar vítima de outros poderes sobrenaturais que lutam contra Deus.

Os homens chegam a um relacionamento verdadeiro com Deus dentro de uma estrutura conceitual de referência pela Palavra inspirada de Deus. Deus chega ao homem em Sua Palavra através do Espírito Santo. As categorias racionais da verdade não são reduzidas. Em vez disso a mente é exercitada de tal modo que, por meio de um conhecimento de Deus digno de confiança, o homem possa escolher a verdade inteligentemente e se tornar envolvido com sua salvação final.


  1. Søren Kierkegaard, Concluding Unscientific Postscript, Book Two, Part Two, Chapter II, “Truth Is Subjectivity.”

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  2. Kierkegaard, Ibid.

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  3. Kierkegaard, Ibid.

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  4. Kierkegaard, Concluding Unscientific Postscript, Book Two, Part Two, Chapter III, “The Subjective Thinker.”

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  5. Kierkegaard, “Truth Is Subjectivity.”

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  6. Martin Buber, I And Thou (Traduzido por Ronald Gregor Smith, Edinburgh, 1937).

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  7. Emil Brunner, Revelation And Reason, Philadelphia, Westminster Press, 1946, p. 206.

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  8. Brunner, The Divine-Human Encounter, London: S.C.M. Press, 1944, pp. 46-47.

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  9. Isaías 8:19, 20.

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