Lições de Daniel 8

Ekkehardt Mueller

Ekkehardt Mueller

Retired, Associate Director of the Biblical Research Institute

Até agora encontramos duas profecias de longa duração no livro de Daniel, cobrindo a história mundial desde o tempo de Daniel até a vinda do futuro reino de Deus (Dn 2, 7). Em Daniel 8 uma vista geral da história mundial é provida novamente com detalhes adicionais.

I. Estrutura de Daniel 8

  • Prólogo (v. 1).

  • Visão (vs. 2-14).

    • Carneiro, bode e chifre pequeno (dimensão terrena—vs. 3-9).

    • Chifre pequeno (dimensão celestial—vs. 10-12).

  • Audição (vs. 13-14), incluindo um elemento de tempo.

  • Interpretação (vs. 15-26).

    • Solicitação para interpretar a visão (vs. 15-16).

    • A reação de Daniel (vs. 17-18), incluindo uma interpretação curta (v. 17b).

    • Segunda e mais extensa interpretação (vs. 19-26).

  • Epílogo (v. 27).

II. Vista Geral de Daniel 8

1. Estrutura de Tempo

Embora Daniel receba sua visão durante o tempo do Império Babilônico, a visão em si começa com o Império Medo-Persa, diferente de Daniel 2 e 7.

A visão se estende até o tempo do fim (Dn 8:17, 19, 26). Portanto, ela é paralela a Daniel 2 e 7. Isto é importante para a sua interpretação.

2. Aspectos Distintos

  • Em vez de cinco poderes, apenas três são mencionados.

  • Entretanto, dois são determinados pelo nome e num tempo quando eles ainda não tinham desempenhado seu papel como impérios mundiais. A Bíblia é a Palavra de Deus. Suas predições são cumpridas.

  • Em Daniel 8 o santuário é enfatizado, enquanto que em Daniel 7 os santos são enfatizados.

  • Os animais de Daniel 8 são animais sacrificiais, enquanto que aqueles de Daniel 7 são predadores. Com este aspecto o santuário é novamente enfatizado.

III. A Discussão de Daniel 8

vs. 1-2

No final do governo Babilônico, Daniel recebe outra visão. Nesta visão Babilônia não é mais mencionada—obviamente porque está para ser derrotada.

2. O Carneiro e o Bode

vs. 3-4, 20

O bode com dois chifres diferentes representa o império Medo-Persa (veja o urso que se levanta sobre um lado em Daniel 7). Este império se expande para o oeste, norte e sul, conquistando outros poderes. Ao alcançar o mar Egeu ele tenta entrar na Europa.

vs. 5-8

O bode representa a Grécia, e o primeiro chifre é Alexandre o Grande. Com tremenda rapidez (“sem encostar no 21, 22 chão ele vem do oeste e derrota os Medos e Persas (compare com o leopardo com quatro asas em Daniel 7). Entretanto, em 323 AC, com a idade de trinta e três anos e no ápice de seu poder e sucesso, Alexandre morreu. Seus generais dividiram o império entre eles (veja as quatro cabeças do leopardo). Os quatro reis eram Ptolomeu, Cassandro, Lisímaco, e Seleuco.

3. O Chifre Pequeno

vs. 9-12
23-25

a. Informação Sobre o Chifre Pequeno

  1. Ele vem de um dos ventos.

  2. Apesar de começar pequeno, ele se torna excessivamente grande.

  3. Ele cresce na “direção do sul, do leste e da Terra Magnífica.” (NVI).

  4. Ele cresce até o exército do céu.

  5. Ele atira alguns do exército do céu e as estrelas para a terra e pisa sobre eles.

  6. Ele cresce até o Príncipe do exército.

  7. Ele toma o diário dEle.

  8. Ele destrói Seu santuário.

  9. Ele lança a verdade por terra.

  10. Ele é destruído sem mão humana.

b. Paralelos Com o Chifre Pequeno de 7

  • O crescimento enorme (v. 2).

  • Guerra contra os santos (vs. 4-5).

  • Blasfêmia (vs. 6-8).

  • Retenção da verdade (v. 9).

  • Sua destruição (v. 10).

c. Diferenças Entre os Dois Chifres Pequenos

O chifre pequeno de Daniel 8 aparece depois da Grécia, não depois de Roma como faz o chifre pequeno de Daniel 7. Adicionalmente, o chifre pequeno de Daniel 8 vem de um dos ventos, não da besta.

d. Interpretação

  1. A gramática Hebraica sustenta o entendimento que a vinda do chifre pequeno é de um dos pontos cardeais.

  2. Este poder identificado como chifre pequeno se torna um novo império mundial. A expressão chifre pequeno em Daniel 7 e 8 não são idênticas (veja também o Aramaico comparado com o Hebraico). O “chifre da pequenez” em Daniel 8 representa Roma pagã e papal. O verso 9 que lida com sua dimensão terrena e aponta mais para Roma pagã, enquanto que a dimensão celestial dos versos 10-14 se refere à Roma papal.

  3. A Terra Formosa muito provavelmente seja a Palestina. Roma a conquistou bem como o Egito no sul da Síria no oeste, tornando-se um novo império mundial.

  4. De acordo com a interpretação provida no verso 24, o exército do céu é o verdadeiro povo de Deus. Estrelas podem indicar seus líderes e mestres (Dn 12:3).

  5. O povo de Deus está sendo perseguido (veja as perseguições dos Cristão pelo Império Romano e mais tarde a Inquisição promovida pela Igreja Romana).

  6. O Príncipe dos exércitos de Deus é Jesus Cristo. O chifre pequeno se rebela contra Ele. Roma crucificou Jesus. Na Igreja Romana a preeminência e supremacia de Jesus é limitada (devido à adoração de Maria e a suposta intercessão dos santos).

  7. No sistema do santuário do Velho Testamento existiam um ministério diário e um ministério anual. Este ministério é um tipo e uma prefiguração do ministério diário e ministério anual de Jesus como nosso Sumo Sacerdote no santuário celestial. O ministério diário de Jesus está sendo minado por mediadores adicionais que a Bíblia não conhece, tais como os santos, Maria, sacerdotes e o papa. Ele é minado por doutrinas não bíblicas, tais como a confissão dos pecados a um sacerdote e a absolvição concedida por ele, a missa como um sacrifício não de sangue, etc.

  8. O santuário celestial, o ministério de Cristo ali, e a autoridade de Deus são afetados negativamente pela Roma papal.

  9. Falsos ensinos são introduzidos. A Escritura é suplementada e algumas vezes, se não sempre, eclipsada pela autoridade da tradição.

  10. Em Daniel 2 a pedra vem sem envolvimento de mãos humanas e destrói todos os poderes. Do mesmo modo também o chifre pequeno será destruído.

4. O Elemento Tempo

vs. 13-14

A visão inteira, que inicia no tempo Medo-Persa (vs. 2-3) e dura até o fim, inclui as 26 2.300 tardes e manhãs. Estas 2.300 tardes e manhãs são 2.300 anos. Daniel não recebe informação adicional e portanto não entende o elemento tempo. Depois dos 2.300 anos o santuário celestial será purificado. Do verso 10 em diante o capítulo trata da dimensão celestial. Também, depois do ano 70 AD o santuário terrestre não existe mais. A purificação do santuário celestial corresponde ao Dia da Expiação do santuário terrestre (paralelos verbais e temáticos entre Daniel 8 e Levítico 16). O santuário e o povo de Deus são finalmente libertos do pecado; e ao mesmo tempo o Dia da Expiação é um período de julgamento (veja Lv 16 e Dn 7). Após o final dos 2.300 anos inicia a segunda fase do ministério de Jesus como nosso Sumo Sacerdote no santuário celestial. Depois do seu término Ele virá novamente e estabelecerá o Seu reino de glória. Contudo, baseados em Daniel 8 não somos capazes de datar os 2.300 anos. Daniel 9 fornecerá mais informação. Em todo caso: Vivemos no tempo final da história da terra, e Jesus está envolvido num ministério especial em nosso favor. Muito em breve Ele virá novamente. Desejamos estar prontos.

5. A Reação de Daniel

v. 27

Embora Daniel não entendesse completamente o que lhe foi revelado, não obstante ele transmitiu fielmente a visão. Deus novamente permite que humanos olhem por trás do cenário. Sua Palavra está sendo cumprida exatamente.

IV. Aplicação

  • Entre outras coisas, Daniel 8 está lidando com a verdade. O que é a verdade? No Novo Testamento ela é a Escritura e o ensino contido nela (Jo 17:17). Ela também é Jesus (Jo 14:6). Estar na verdade significa estar em Jesus e concordar com Sua Palavra e Seus ensinos. Esta verdade está sendo atacada hoje. Muitas pessoas não estão interessadas em Deus. Elas fabricam suas próprias teorias e religiões, porém sem orientação porque elas têm se tornado seus próprios padrões. Mas os Cristãos verdadeiros têm um fundamento seguro e crescem em Cristo.

  • O santuário tem que ver com a presença de Deus no meio do Seu povo. Ele também é o lugar do qual o julgamento e a salvação vêm. Deus não consente que Seu plano de salvação seja destruído, nem permite que Sua maneira de se obter a salvação seja substituída por outro sistema. Ela ainda é a melhor para seguir em vez de um sistema feito pelo homem.

  • Enquanto vivemos no último período da história da terra, quando o erro aumenta e várias espécies de problemas se tornam insuportáveis, olhemos para adiante para a segunda vinda de Cristo e nos preparemos para ela.