
George W. Reid
BRI (retired)
Breves considerações sobre a celebração da Páscoa; como esta se relaciona com a ressurreição de Jesus; porque ela se tornou uma das principais festividades no mundo cristão; e como ela se relaciona com o relato bíblico.
Deveríamos participar das celebrações da Páscoa? Qual é a história da Páscoa e aonde o dia da celebração se iniciou?
A palavra “Páscoa” nunca aparece no Novo Testamento Grego. Ela deriva do Grego Páscha, pelo Latim Clássico Pascha, festa da primavera de pastores nômades, e festa anual dos Judeus, transformada em memorial de sua saída do Egito.1 Por volta do 8º século este nome veio a ser aplicado ao aniversário da ressurreição de Cristo. Com a passagem do tempo a conexão com a festa da primavera dos pastores nômades e a festa anual dos Judeus foram perdidas, e o único significado que restou passou a ser associado com a ressurreição de Cristo. Perguntar aonde e quando a prática iniciou é apenas parcialmente válido, pois muitas de nossas práticas na vida do dia a dia têm antecedentes no mundo antigo, frequentemente oriundas de descrentes. O passar dos séculos muda o significado. Mesmo a hora de 60 minutos veio dos pagãos da antiga Babilônia, e tais cálculos de tempo desempenham uma parte em nosso culto de adoração quando sentimos o tempo passar.
A Páscoa comemora a ressurreição de Jesus. Inquestionavelmente a ressurreição foi de enorme importância para a igreja apostólica, pois ela figura proeminentemente nas mensagens evangelísticas dos apóstolos como registrado no livro de Atos. Nenhuma questão é feita sobre quando a data ocorreu, a não ser a observação feita de maneira factual que a ressurreição ocorreu no primeiro dia da semana. Não existe sugestão que a ressurreição criou um novo dia santo. Na Bíblia é encontrado apenas um dia santo da semana, o Sábado, formado como uma parte do processo da criação pelo próprio Deus, e nunca interrompido. Por essa razão observamos apenas o Sábado como sagrado ou tempo santo.
Deve ser observado que a igreja apostólica jamais deu atenção quer à data do nascimento de Cristo ou à data de Sua ressurreição, a não ser observar que a última ocorreu num Domingo. Nenhum desses dias foi observado pelos Cristãos primitivos e se o nosso modelo é o da igreja apostólica seremos guiados pelos relatos do Novo Testamento. Na verdade, no terceiro e quarto séculos surgiu um tremendo debate entre as igrejas Cristãs sobre quando a Páscoa devia ser observada. Para a parte Católica Romana foi amplamente estabelecido no Concílio de Nicéia (325 AD) com uma fórmula um tanto artificial seguida até hoje, que possivelmente não pode ser a comemoração real da ressurreição. Na prática atual a Páscoa sempre cai num Domingo e o Domingo escolhido vagueia num período de mais de quatro semanas indo de 22 Março a 15 de Abril. A parte oriental da Cristandade selecionou um sistema diferente, de modo que no Oriente Ortodoxo tanto a tradição do Natal como da Páscoa caem em datas diferentes da tradição Católica ou Protestante do Ocidente. O ponto é que os Cristãos primitivos não deram atenção à comemoração ao dia da ressurreição de Cristo. Se eles tivessem sido sérios deveriam estar observando o 17º dia do mês Judaico de Nisan, que inicia com a primeira lua nova que segue o solstício da primavera. A Páscoa entre os Judeus inicia com o 14º dia de Nisan. Não seria possível comemorar o dia real do mês e tê-lo sempre no domingo; então a escolha foi feita para tê-lo no Domingo, ajustando o dia do mês por conveniência.
Dada esta informação, embora a ressurreição de Jesus seja um evento histórico de imensa importância, não possuímos precedente bíblico para marcar um dia especial de celebração. Isso veio nos séculos mais tarde da história Cristã. Por esta razão os Adventistas do Sétimo Dia nunca deram a mesma atenção à Páscoa que as outras igrejas deram. Nosso interesse é o retorno às práticas e à fé da igreja Cristã primitiva.
Entretanto, vivemos numa sociedade saturada com a comemoração da Páscoa. Em grande medida isto impelido, como o Natal, pela oportunidade de vender bens às pessoas para marcar o dia. Chocolates, em particular (no Brasil), está associado com a Páscoa, como estão os brinquedos com o Natal. Num esforço de comunicar a ideia que os Adventistas creem na ressurreição, alguns entre o nosso povo têm introduzido observâncias da Páscoa. Eles temem que sejamos mal compreendidos, e para eles é importante que sejamos vistos como ortodoxos e aceitáveis pela sociedade que nos rodeia. Eles agem de acordo com o costume ao nosso redor, às vezes impensadamente. Na verdade esta prática comunica outro mal entendimento – a ideia que damos significado especial ao Domingo porque ele foi o dia da ressurreição. Umas poucas de nossas igrejas têm realizado cultos na manhã do Domingo Pascal, fato que para muitos Adventistas cria problemas. Reconhecemos que não estamos tratando o Domingo como tempo santo, mas o público pode não entender a diferença sutil.
É importante que encorajemos os líderes de nossas congregações a considerarem todos os fatores envolvidos quando eles decidem o que fazer com a Páscoa. Várias coisas estão envolvidas e precisam ser consideradas antes de se tomar decisões. Frequentes escolhas sobre questões como esta são feitas com prevenção mínima. Sempre é apropriado que as Escrituras sejam nosso guia, e pensarmos cuidadosamente sobre para qual direção nossas ações levarão nossa igreja.
Embora não exista razão bíblica clara para a observância da Páscoa como um festival religioso, em algumas partes do mundo o público está tão orientado para as observâncias da Páscoa que é uma época do ano quando ele se torna aberto para estudos especiais da Bíblia. Abre-se uma oportunidade para se alcançar o público com a mensagem mais plena de Cristo, frequentemente com boa resposta. Sob tais circunstâncias a Páscoa e os eventos que a cercam pode prestar-se à extensão evangelística sem, entretanto, atribuir qualquer significado religioso especial ao dia em si mesmo. Onde quer que haja oportunidade para o avanço da mensagem de Cristo, sem comprometimento da verdade bíblica, o conselho de Cristo “sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” é apropriado.
O nome Páscoa em Inglês é “Easter” e deriva do Anglo-Saxon Eostre, o nome da deusa da primavera. As informações sobre a Páscoa para a tradução do artigo são fornecidas por Aurélio B. H. Ferreira, Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, Editora Nova Fronteira, RJ, s.d., 4ª impressão, 1506-1507.
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