Lições de Daniel 3

Ekkehardt Mueller

Ekkehardt Mueller

Retired, Associate Director of the Biblical Research Institute

Em Daniel 2 encontramos uma imagem visual que descreve a história futura do mundo como uma sequência de reinos. Daniel 3 também põe em foco uma imagem, mas desta vez não é uma imagem revelada por Deus mas uma imagem levantada por Nabucodonosor. Esta imagem provoca uma crise.

I. Discussão do Capítulo

A. A Imagem e Adoração

1. Versos 1-7

Quais são as diferenças entre a imagem em Daniel 2 e a imagem em Daniel 3?

Daniel 2

  • Mostrada num sonho

  • Revelação de Deus

  • Predição a respeito do futuro

  • Feita de materiais diferentes

  • Deus como a autoridade mais elevada

  • Não relacionada à adoração

Daniel 3

  • Imagem real

  • Iniciativa do rei

  • Pensamento ávido a respeito do futuro

  • Feita de ouro puro

  • O rei como a autoridade mais elevada

  • A adoração da imagem de Daniel 2 indica que Nabucodonosor e seu reino é a cabeça de ouro. Porém, parece que o rei não estava contente em ser a cabeça de ouro. A imagem inteira teve que ser feita de ouro para sugerir que seu reino seria glorioso, perpétuo, e não seria seguido por um império inferior. À luz de sua declaração em Daniel 2:47, sua ação em Daniel 3 deve ser entendida como rebelião contra Deus e orgulho excessivo.

2. Versos 2, 3

Os dignitários do reino são convocados. Daniel e seus companheiros pertencem ao corpo de oficiais do governo (Dn 3:12), mas Daniel não estava presente quando os eventos ocorreram. Pode ser que ele estivesse em alguma espécie de missão para o rei.

3. Versos 4-6

O que expressaria o culto à imagem?

  • Reconhecimento do rei como senhor supremo e submissão a ele

  • Reconhecimento do rei como uma espécie de deus

  • Negação do Deus verdadeiro

  • Rejeição do primeiro e segundo mandamentos do Decálogo

  • Reconhecimento dos deuses Babilônicos como superiores aos outros deuses e ao Deus verdadeiro

4. Verso 6

Por que a pena de morte pelo caso de desobediência à ordem do rei é anunciada imediatamente?

  • A desobediência é um sinal de deslealdade e rebelião e são imediatamente suprimidas nos regimes totalitários.

  • A tolerância à desobediência poria em perigo a autoridade absoluta do rei.

  • A unidade do império seria posta em perigo.

5. Verso 7

As multidões adoram a imagem. Porém, a verdade não é necessariamente encontrada na maioria. Requer coragem e força de caráter para não participar das decisões questionáveis ou erradas das massas e ir contra a tendência.

B. A Acusação

1. Versos 8-12

Os companheiros de Daniel são acusados de deslealdade. Parece haver algum tipo de inveja entre seus acusadores e até mesmo uma censura indireta à ação anterior do rei em colocar estrangeiros, prisioneiros de guerra, em posições governamentais. A questão é trazida diretamente ao rei, e é portanto ao rei que os três amigos têm que responder para se defenderem. Como eles são descritos por seus inimigos?

  • Eles são Judeus, de uma religião diferente, e portanto pessoas sob suspeita.

  • Apesar de sua posição (Dn 2:49) eles se recusam a obedecer às ordens e são desleais. Eles também são ingratos ao seu benfeitor real.

  • Eles se opõem ao rei e aos seus deuses.

C. O Diálogo com Nabucodonosor

1. Versos 13-15

Como o rei é descrito?

  • Extrema fúria

  • Intimidação séria

  • Não obstante boa vontade em conceder uma segunda chance

  • Orgulho e sentimento de superioridade com respeito ao Deus do Hebreus

  • Desafiando o Deus verdadeiro

  • Não crê que Deus seria capaz de salvar os três amigos. Parece que em sua opinião seus deuses são mais poderosos que Yahweh.

  • Cobiça pelo poder: pena de morte imediata para a rebelião alegada

2. Versos 16-18

O que nos impressiona a respeito dos companheiros de Daniel?

  • Calma e equanimidade

  • Coragem e ousadia

  • Fidelidade ao seu Deus

  • Prontidão para morrer por suas convicções

  • Fé na onipotência de Deus

  • Submissão à vontade de Deus, sem se importar com o que isso poderia significar

  • Seu entendimento de Deus não requer que os crentes estejam isentos de males e desafios, ou que Deus é obrigado a salva-los de todos os perigos. Eles não creem que deveriam deixar a Deus no caso de Ele não intervir. Eles não creem numa espécie de contrato entre Deus e eles no sentido de “Aquilo que você fizer para mim, eu farei para você,” ou “Eu estou dando tanto quanto você me dará.” Em vez disso eles têm um relacionamento pessoal de confiança e amor com o Senhor.

D. A Execução do Veredicto

1. Versos 19-22

Em sua ira o rei ordena a execução do seu veredicto. Neste processo seus melhores guerreiros morrem. Sua ordem para aquecer a fornalha sete vezes mais pode ter sido dada para impedir o Deus dos Hebreus de salvar os Seus filhos. A fornalha pode ter sido uma dos muitos fornos usados na Babilônia.

E. O Fenômeno na Fornalha Ardente

1. Versos 23-25

Acontece um fenômeno: embora os soldados que estavam do lado de fora da fornalha sejam queimados, os três homens dentro da fornalha não morrem e caminham livremente pelo fogo, e uma quarta pessoa se junta a eles. Sua aparência é descrita como um filho dos deuses ou o Filho de Deus (vs. 28, 29 sugerem a segunda opção). Deus intervém e salva seus servos fiéis. Os pais da igreja primitiva já entendiam que esta quarta pessoa era Jesus Cristo. O rei está estupefato.

F. A Reação de Nabucodonosor

1. Versos 26-30

Quais são as consequências deste milagre?

  • Os três homens são libertados de sua “prisão.”

  • O rei não encontra mais falta em sua recusa para adorar a imagem.

  • Ele aprecia a fidelidade dos três homens, incluindo sua repugnância em se comprometer.

  • Reconhecendo Deus como o único Deus verdadeiro que pode salvar de uma maneira tão maravilhosa, ele emite uma ordem contra a blasfêmia. Seu conhecimento de Deus aumenta.

  • Os três homens são promovidos.

II. Aplicação

  • Como foi no passado, assim é ainda hoje: O Filho de Deus nos salva (v. 25). Ele nos torna Seus filhos, se nós permitirmos.

  • Porque estamos salvos e pertencemos a Deus como os três companheiros de Daniel, somos fiéis (vs. 17, 18). Somos obedientes nas questões grandes e pequenas. Isto pode nem sempre ser fácil, mas Jesus nos ajudará e permitirá que experimentemos Suas intervenções. Obediência e fidelidade são um sinal de amor (Jo 14:15, 21; 15:10).

  • Daniel 3, forma o pano de fundo de Ap 13:11-18. Nos últimos dias da história do mundo, esta obediência e fidelidade serão necessárias novamente. A questão também será adoração: adoração do dragão, da besta do mar, ou da imagem da besta (Ap 13:4, 8, 15) versus adoração a Deus (Rev 14:7). O povo fiel de Deus será dedicado a Jesus e guardará os mandamentos de Deus, especialmente os Dez Mandamentos (Ap 14:12). Desejamos ser parte deles.

  • Seguir a Jesus não exclui o sofrimento e, em alguns casos, até mesmo a morte (Dn 3:18). Não deveríamos ter ilusões. Embora a fé Cristã nos ofereça um a qualidade de vida nova e melhor, isto não é um seguro contra aflição e sofrimento neste mundo.

  • Porém, haverá salvação final. Estamos esperando pelo reino de Deus por vir. Haverá ressurreição dos mortos e vida eterna sem sofrimento e morte (Ap 21:3, 4). Daniel também sabia a respeito deste reino de Deus (Dn 2:44). Estamos esperando por ele.

Conclusão

Existe salvação. Existe esperança além da morte (veja Dn 12:13). Mesmo que o mundo inteiro seja arruinado e destruído, este não é o fim. Existe esperança além do “fim.”