
Ekkehardt Mueller
Retired, Associate Director of the Biblical Research Institute
Somos confrontados com várias doenças, entre elas doenças mentais e psicológicas. A depressão tornou-se um problema comum em nossos dias. Em Daniel 4, lemos o último relato sobre o rei Nabucodonosor e ele está sofrendo de uma doença mental.
I. Discussão do Capítulo
1. O contexto
O texto em aramaico começa em Dan 3:31 enquanto em versões em inglês Dan 3:31 é Dan 4:1. Vamos seguir a numeração dos versos em Inglês.
vs. 1-3 O relato a seguir é a autobiografia de Nabucodonosor.
O que essas palavras introdutórias revelam sobre o relacionamento de Nabucodonosor com Deus?
Ele respeita a Deus como aquele que é o Altíssimo. Ele testemunha a obra de Deus nele. Ele reconhece o domínio universal e eterno de Deus.
Vs 37 O relato de Nabucodonosor termina com uma doxologia.
2. O sonho e o problema de sua interpretação
vs. 4 e 5. Tendo atingido o clímax do seu poder, Nabucodonosor recebeu um segundo sonho de Deus. O sonho é aterrorizante.
vs. 6-9 Os sábios não podem interpretar o sonho, embora desta vez o sonho esteja relacionado a eles (compare com Dan 2). Novamente Daniel é requisitado para resolver o problema. A frase "no qual há o espírito dos deuses santos" destaca a alta estima que tinham por Daniel. É estranho que as pessoas não confiam em Deus imediatamente; em vez disso, tentam primeiro resolver seus problemas eles mesmos.
v. 8 O que significa "de acordo com o nome do meu deus"?
Nabucodonosor tinha de alguma forma reconhecido o verdadeiro Deus (Dan 2 e 3), e contudo adere a seu (s) próprio (s) deus (s). Não houve verdadeira conversão. Talvez para ele, o Deus Todo-Poderoso era um entre muitos deuses.
3. O sonho
vs. 10-18. O sonho refere-se a uma árvore que será cortada. Um ser celestial anuncia o julgamento sobre a árvore. A árvore é um símbolo, nós ouvimos sobre um coração humano que será substituído pelo coração de uma besta. Um intervalo de tempo é dado para esta condição "bestial".
v. 17. O pensamento principal do capítulo é que Deus é a mais alta autoridade. Ele é o Senhor da história, e o Senhor da humanidade. Este conceito aparece repetidamente em Daniel (2:21; 3:33; 4:17, 25, 26, 32, 34, 35, 37).
4. A interpretação
v. 19 Como esse versículo descreve Daniel?
Ele não se alegra sobre o julgamento de Nabucodonosor. Em vez disso, ele se sente pesaroso sobre o que está para acontecer ao rei.
Ele se preocupa com o rei.
vs. 20-22, Nabucodonosor e seu império são a cabeça de ouro do capítulo 2. Ele também é a árvore do capítulo 4. Ele fornece proteção e apoio para as nações.
vs. 23-26, o veredicto será executado.
Há um Senhor que supera o governante mundial do império babilônico. Nabucodonosor é responsável perante este Senhor. Por isso, ele pode ser expulso da sociedade humana por sete anos.
Mas o julgamento tem um objetivo. Nabucodonosor deve aprender que Deus é o verdadeiro Senhor. Seu reino será devolvido a ele. O julgamento é misturado com a graça.
v. 27 Daniel vira-se para o rei com um apelo. O que podemos aprender com essa ação?
O desastre pode ser evitado, se o rei compromete sua vida a Deus. O julgamento está ligado a condições e não acontece automaticamente. Veja Jonas e o julgamento de Nínive; veja este princípio em Jeremias 18: 6-10.
Daniel agora pode abordar o rei de uma forma mais clara do que nunca e chamá-lo ao arrependimento. Além do apelo o texto também contém uma promessa. Portanto, o sonho deve ser entendido como um alerta.
5. O sonho está sendo cumprido
vs. 28–30 Apesar do aviso, o julgamento finalmente chega sobre o rei. Quais são os erros que Nabucodonosor cometeu?
Orgulho e arrogância - Exaltação pessoal. (Veja a ênfase em "Eu" e "Meu"; veja, no entanto, o contraste em Dan 2: 20-23.
O desejo de ser independente de Deus.
Mordomia ruim.
vs. 31–33 a sentença é executada imediatamente, e a previsão é cumprida, compare com (Atos 12: 21- 23). Deus nem sempre reage imediatamente. De qualquer maneira, o que Nabucodonosor não esteve disposto a aprender em boas circunstâncias ele teve que aprender em circunstâncias difíceis, até que ele estivesse disposto a aceitar que Deus é o Senhor. A insanidade de Nabucodonosor pode ter sido indiretamente referida em fontes históricas.
6. A conversão de Nabucodonosor
vs. 31–34 O que Nabucodonosor expressa com estes versos?
Ele não culpa a Deus por sua doença.
Ele louva a Deus e ora a Ele.
Ele reconhece Deus como o único soberano Senhor. Nós somos poeira, enquanto Deus é eterno e onipotente. Deus faz todas as coisas certas (veja Rm 8:28). Deus ama a humildade.
Nabucodonosor é convertido a Deus.
Quando o rei buscou a Deus e entrou em um relacionamento com Ele, ele foi curado. Além disso, ele recebeu seu posto real de volta. Vamos "manter os nossos olhos em Jesus" (Hb 12: 2), não nos seres humanos. É concebível dizer que, sem Daniel, Nabucodonosor não teria encontrado a Deus.
II. Conexões com o Novo Testamento
A grande árvore com animais que vivem em e sob ela é usada por Jesus em uma parábola para descrever o reino de Deus, que excede todo o reino de Nabucodonosor, de longe (Mt 13:32).
A queda de Nabucodonosor, resultante do seu orgulho (Daniel 4:30, 31), aponta para a queda simbólica da Babilônia do fim dos tempos (Ap 14: 8; também os capítulos 17 e 18). O termo "Babilônia, a Grande" é encontrado em ambos os livros.
Compare Daniel 4:34 com Apocalipse 4:9. Devemos honrar a Deus "que vive para sempre”.
III. Aplicação
Deus é o verdadeiro e grande Senhor. Ele é o Senhor sobre a política. Ele também é Senhor sobre ditadores que afligem a humanidade. Ele realiza Seus planos nos bastidores. Logo Ele vai estabelecer Seu reino eterno no qual tudo negativo será banido.
Como Deus se revelou a Nabucodonosor, assim Ele Se revela a nós. Ele faz isso através de orações respondidas, experiências e companheiros humanos, mas especialmente através de Sua Palavra, as Escrituras Sagradas. Em certo sentido, estamos melhor hoje do que as pessoas no passado: temos a plena Palavra de Deus à nossa disposição.
Assim como Deus aproximou Nabucodonosor a Si mesmo, Deus não desiste de nós em Seu amor perseverante. Mesmo quando passamos por situações e experiências amargas, o objetivo de Deus para nós é a nossa salvação.
Como Nabucodonosor tomou uma decisão por Deus, nós também precisamos decidir se Deus é o nosso Senhor.
Temos de partilhar a nossa experiência com os outros como Nabucodonosor fez. Todos devem ter a chance de experimentar a alegria de pertencer a Deus, nosso Salvador e Senhor.