Lições de Daniel 6

Ekkehardt Mueller

Ekkehardt Mueller

Retired, Associate Director of the Biblical Research Institute

Liberdade de consciência e liberdade religiosa são constantemente ameaçadas neste mundo. Muitas vezes existem perseguição, aprisionamento e matança de pessoas por causa de suas convicções religiosas. Daniel 6 descreve tal situação. Este capítulo é o último capítulo na parte histórica do livro de Daniel; ele trata do tempo dos Medos e Persas. Do capítulo 7 em diante encontraremos a parte profética do livro.

I. Discussão do Capítulo

A. O Pano de Fundo Histórico

vs. 1-3

Sob os Medos e Persas Daniel assumiu rapidamente uma posição elevada.

O que poderia significar a frase “porque um espírito excelente estava nele”?

  • Sabedoria, discernimento, conhecimento.

  • Fidelidade e confiabilidade.

  • Excelente administração e liderança sábia.

  • Conhecimento de Deus e da natureza humana.

B. Intrigas dos Sátrapas

vs. 4-5

As intrigas aconteciam constantemente nas cortes reais e ainda acontecem hoje nos governos e nos negócios. Daniel também se tornou um alvo. Ele estava sendo espionado. Resultado: foi descoberto que ele era inocente e justo em todos os aspectos. Sua única vulnerabilidade era sua religião. Desse modo Daniel é um exemplo notável para os crentes.

vs. 4-8

Como os governadores e sátrapas são descritos nestes versos?

  • Invejosos, ambiciosos, egoístas.

  • Eles desejavam se livrar de Daniel.

  • Eles eram cruéis e prontos para matar qualquer um que interferisse em seus interesses.

  • Eles lisonjearam o rei e obtiveram uma lei que era capaz de prejudicar Daniel.

  • Eles eram hipócritas e coniventes.

  • Eles não estavam interessados se uma pessoa era ou não inocente.

  • Eles usaram a religião diferente de Daniel contra ele.

Como deveríamos caracterizar o rei?

  • Ele se sentiu lisonjeado.

  • Ele não notou que o decreto proposto era dirigido contra Daniel, e pode ter sido completamente ingênuo neste ponto.

  • Porque a lei dos Medos e Persas era considerada imutável, ao criar uma nova lei o rei colocou Daniel e ele próprio em dificuldades.

  • Ele era um governante absoluto que não tinha muito cuidado a respeito da vida humana.

v. 9

O decreto foi assinado.

C. A Reação de Daniel

v. 10

O que aprendemos da vida de oração de Daniel em seu livro (capítulos 2, 6, e 9)?

  • Para Daniel, orar era uma necessidade. Ele orava regularmente.

  • Mesmo sob circunstâncias difíceis Daniel se dirigia a Deus em oração com fé.

  • Para Daniel era mais importante orar do que viver.

  • A oração de Daniel consistia de petição, louvor, ação de graça, confissão de pecado e intercessão.

  • Ele experimentou respostas maravilhosas à oração.

  • Apesar de suas muitas obrigações e de todo o estresse que ele pode ter tido, ele encontrava tempo para orar.

  • A oração pode ter sido a chave para o seu sucesso.

  • Daniel orava regularmente e se retirava para um lugar especial em horas específicas.

Por que Daniel continuou a orar te tal maneira que ele pudesse ser visto?

  • Teria sido uma negação de sua fé não continuar a orar do mesmo modo que ele fazia antes.

  • Ele teria reconhecido o rei como autoridade e senhor mais elevado.

  • Sua ligação com Deus era importante para ele, especialmente nas crises.

  • Uma recusa secreta para obedecer as ordens ainda teria sido uma resposta negativa a elas. Ele não tinha nada para esconder.

Daniel muito provavelmente estava com oitenta anos de idade. Como a idade avançada se relaciona com a fidelidade a Deus?

  • Uma pessoa pode ser fiel a Deus sem levar em conta sua idade. As tentações encontradas pelas pessoas jovens e a fragilidade da idade avançada não justificam a infidelidade.

  • Daniel já havia experimentado intervenções de Deus. Elas podem tê-lo ajudado a permanecer do lado de Deus nas maiores crises de sua vida.

D. Os Administradores Diante do Rei

vs. 11-13

Depois que Daniel foi espionado, ele foi acusado. Com a designação de “prisioneiro” Daniel foi rebaixado e se tornou suspeito de rebeldia.

v. 14

Finalmente o rei foi capaz de perceber a intriga. Ele tentou salvar Daniel.

v. 15

Os governadores pressionaram para que Daniel fosse executado, argumentando a indissolubilidade da lei.

E. Daniel e Então os Governadores na Cova dos Leões

vs. 16, 20

O que estes versos revelam sobre Daniel?

  • Daniel era altamente estimado pelo rei.

  • O rei reconhece Daniel como um servo de Deus e espera a ajuda deste Deus e a salvação de Daniel.

  • O rei não considera que a fé de Daniel era um crime contra seu reino. Indiretamente ele o elogiou por sua religião.

  • Daniel não servia a Deus esporadicamente, mas constantemente.

v. 17

O veredicto foi executado. O selamento tinha um propósito duplo: (1) O rei desejava impedir que Daniel fosse morto de uma outra maneira a não ser pelos leões. (2) Os administradores do reino desejavam impedir que o rei salvasse Daniel.

v. 18

O rei estava ferido com tristeza.

vs. 19-20

Dario esperava que Deus salvaria Seu servo através de um milagre. De alguma maneira, Dario reconhecia Deus.

vs. 21-22

Daniel estava vivo e se dirigiu ao rei. Por que Daniel reivindicou ser inocente somente depois de sua salvação?

  • Se ele reivindicasse inocência antes da sua execução, isso poderia ter sido interpretado como medo e covardia.

  • De qualquer modo não teria ajudado porque ele havia transgredido a lei.

  • Tentar justificar-se em tal situação cria mais problemas. Jesus igualmente não se justificou. Daniel atribuiu sua salvação a Deus.

v. 23

Sua confiança foi recompensada. Ele foi capaz de deixar a cova dos leões, porque a lei não exigia a morte, mas ser lançado na cova dos leões.

Por que Deus permitiu que Daniel fosse lançado na cova dos leões e não o salvou imediatamente? Respostas possíveis:

  • O ato ajudaria o rei a conhecer o Deus verdadeiro.

  • Talvez Deus desejasse permitir que Daniel tivesse uma nova experiência do Seu poder.

  • Isso aconteceu desse modo para que fôssemos encorajados (1Co 10:6).

vs. 19-24

A libertação de Daniel da cova dos leões foi ao mesmo tempo a destruição dos seus inimigos. Este tema também é encontrado em Ap 13-18: O povo de Deus está quase para ser morto (Ap 13:15); entretanto, a Babilônia simbólica está sendo julgada (Ap 18:6, 7).

F. Confissão e Decreto de Dario

vs. 25-28

O Deus de Daniel se tornou conhecido no Império Persa. Em alguma extensão, Dario reconhecia este Deus. Daniel teve uma posição elevada entre os Medos e Persas.

II. Aplicação

  • A liberdade religiosa é um direito importante. Ela é mencionada indiretamente no Velho e Novo Testamentos (veja At 5:29). Em muitos países ele é um dos direitos humanos básicos.

  • Entretanto, a liberdade religiosa era e é raramente concedida (como pode ser visto na história humana desde a antiga Roma até o presente). Ela é limitada ou não existe em muitos países.

  • De acordo com o livro de Apocalipse a liberdade religiosa e a livre vontade pessoal novamente serão ameaçadas, e a humanidade experimentará uma situação semelhante a de Daniel 6. Este capítulo provê uma regra geral para o comportamento Cristão.

  • Alguns de nós ainda gozamos liberdade. Portanto podemos orar livremente (6:10), servir a Deus e aos semelhantes (6:16, 20), testemunhar a respeito de Deus (6:22) e estudar a Escritura (9:2). Devemos aproveitar esta situação.

Conclusão

O Senhor não deixa Seu povo sozinho, mesmo no fim dos tempos quando ele tiver que passar pelas “covas dos leões” e sofrer a perda da liberdade religiosa. Ele permanece fiel na oração e testemunho.