
Gerhard Pfandl
BRI (retired)
O gráfico de 1843 foi usado pelos Mileritas com bastante sucesso, porém nem tudo no gráfico está correto. Uma das questões diz respeito aos 2520 anos. Por favor observe: Judá não foi levado para o cativeiro em 677 AC; o rei Manasses (687-643 AC) foi levado para a Babilônia por um período de tempo, mas ele foi restaurado ao trono e purificou o templo antes de morrer (2Cr 33:14-16). Judá continuou como um reino até 586 AC quando Jerusalém foi destruída pelos Babilônios.
O princípio dia-ano não pode ser usado em Levítico 26:28. A New American Bible traduz este verso corretamente: “Eu aumentarei o castigo por seus pecados sete vezes.” O texto Hebraico tem apenas a palavra “sete,” não existe referência a um período de tempo. “Sete (vezes ou tempos)” é uma expressão proverbial para a plenitude, a medida completa da disciplina (ela também é usada em Lv 26:21, 24, 28, Sl 79:12). Sete era um número apropriado para representar a perfeição em virtude da importância do “sete” na religião Israelita. O princípio dia-ano pode ser usado apenas para períodos de tempo nos livros apocalípticos de Daniel e Apocalipse. Fora destes livros Deus sempre deixou claro quando Ele desejava aplica-lo como um dia representado um ano (Nm 14:34; Ez 4:6).
No que diz respeito a Ellen White ela nunca usou os 2520 para mostrar a precisão da data 1844. O cálculo 2520 anos indo de 677 a 1843 era muito popular entre os Mileritas e alguns de nossos próprios pioneiros, mas Ellen White em todos os seus escritos não o menciona uma única vez.
Isto deve nos dizer que Deus não desejava este uso figurado. O fato de ter apoiado Guilherme Miller não significa que ela defendia todas as coisas que ele disse ou que ela aprovou cada detalhe do gráfico usado pelos Mileritas. Em 1864, Tiago White escreveu um artigo na Review (veja abaixo) no qual ele rejeitou o uso dos 2520 como uma profecia de 2520 anos.
O período profético de Lv 26, ou aquilo que tem sido suposto ser, não tem sido nem um pequeno objeto de estudo entre os expositores proféticos. Tem sido suposto que a expressão, “sete vezes,” nos versos 18, 21, 24, 28, significa um período profético de 2520 anos, e que este período cobre o tempo durante o qual o trono de Israel deve estar e permanecer subvertido e esmagado com os pés de poderes opressores. Fixar corretamente o início e término deste período se torna portanto um assunto de importância. Onde ele inicia e onde termina têm sido questões de muito estudo, e talvez de alguma perplexidade.
Entretanto, estas não são questões que nos propomos discutir aqui; pois existe uma questão por trás destas, que exige ser respondida primeiro; isto é: Existe, de qualquer forma, algum período profético a ser examinado em Lv 26? Sustentamos que não, e ofereceremos umas poucas razões que para nós são muito conclusivas para esta posição:
Uma série de ameaças de julgamentos é feita contra Israel, caso eles não deem ouvidos a Deus para cumprirem Seus mandamentos, antes que a expressão, sete vezes, seja introduzida. Versos 14-17. Nestes julgamentos está incluído ser morto diante dos seus inimigos, ser governado por aqueles que os odeiam, e fugir quando ninguém os persegue. Se as sete vezes fossem destinadas a cobrir o período de julgamentos especiais de Deus contra Israel, especialmente de seu cativeiro sob poderes estrangeiros, estas sete vezes deveriam ter sido mencionadas em conexão com a primeira ameaça de julgamentos desta espécie. Porém, como vimos, este não é o caso.
Depois da ameaça destes julgamentos, Deus diz no verso 18: “Se depois disso tudo vocês não me ouvirem, eu os castigarei sete vezes mais pelos seus pecados.” Então segue uma enumeração dos julgamentos a virem sobre eles em cumprimento disto, diferentes dos itens da primeira ameaça, e aumentados em severidade.
Se depois disto não ouvissem, sete vezes mais pragas foram ameaçadas contra eles, “de acordo com os seus pecados.” Verso 21. Então novamente segue uma enumeração de julgamentos correspondentes, mais severos ainda do que os anteriores.
Se eles não fossem reformados por estas coisas, Deus ameaçou puni-los sete vezes mais por seus pecados. Verso 24. E de maneira semelhante à anterior, uma enumeração de julgamentos a serem infligidos no cumprimento, segue imediatamente, e mais terríveis ainda.
E se eles não ouvissem a Deus depois de todas estas coisas, Ele faz uma ameaça final que Se oporia a eles em fúria, e os castigaria sete vezes por seus pecados. Verso 28. E uma enumeração de julgamentos a serem infligidos, de novo segue imediatamente, sobrepujando tudo o que foi dito antes em sua terrível severidade. Incluídos entre eles estava o comer da carne de seus filhos e filhas, suas cidades ficariam em ruínas, levando a terra a tal desolação que seus inimigos ficariam perplexos nelas, espalhando-os entre todas as nações, e instigando uma espada contra eles em todas as terras de sua dispersão. Todas estas coisas foram cumpridas com assustadora exatidão, até mesmo o comer da carne dos seus próprios filhos, quando ocorreram os cercos terríveis que precederam a queda de Jerusalém.
Desse modo temos, primeiro, uma série de ameaças de julgamentos contra Israel, sem a expressão, sete vezes, e então a declaração feita quatro vezes, que Deus os puniria sete vezes por seus pecados, cada uma sob a condição que a anterior não levasse ao arrependimento, e cada uma contendo sua própria enumeração específica de julgamentos, distinta daquelas que a precediam, e aumentando regularmente em severidade depois das denúncias. Assim sendo qual é o significado desta repetida expressão sete vezes? Respondemos: Ela indica, não a duração da punição, mas sua intensidade e severidade. Ela é bem expressada na linguagem do verso 21, desse modo: “Eu os castigarei sete vezes mais, conforme os seus pecados.” Sendo que o número sete denota perfeição, devemos sem dúvida entender por esta expressão, a plenitude de sua punição; que a medida de seus pecados nacionais, em todo caso seria igualada pela medida das calamites nacionais. (26 de Janeiro de 1864 JWe, ARSH 68.8) E esta posição é plenamente sustentada pelo original, como um breve criticismo mostrará.
Com referência ao Hebraico, aprendemos da Concordância Hebraica que a expressão, sete vezes, em Lv 26, provem de sheh-vag; e esta palavra é expressamente registrada por Gesenius, nesses textos, como um advérbio e também em Sl 119:164; Pv 24:16. Em Dn 4:16, 25, a expressão, sete tempos, ocorre duas vezes, onde além de qualquer questão ela significa duração. Nabucodonosor devia ser tirado dentre os homens, e viver com os animais do campo, até que sete tempos passassem sobre ele. Não pode haver engano que ali a expressão significa um certo espaço de tempo; mas aqui encontramos, não o advérbio como em Lv 26, porém o substantivo, gid-dahn, definido por Gesenius como: “Tempo, em linguagem profética, significando um ano.” Em Dn 7:25, onde um período profético é trazido para consideração na expressão, “um tempo e tempos e a divisão de tempo,” a mesma palavra é usada. Em Dn 12:7, onde o mesmo período é novamente trazido para consideração, e quase na mesma linguagem, temos outra palavra, moh-gehd, definida por Gesenius como: “Designação de tempo. Falando de um espaço de tempo, designado e definido. No estilo profético para um ano.” Será visto através desta definição, que esta palavra é sinônima de uma outra usada em Dn 7:25, como mencionado acima. Agora, se um período de tempo fosse o significado da expressão, sete vezes, em Lv 26, uma destas palavras deve e deveria mais seguramente ter sido usada. E o fato destas palavras não serem usadas aqui, mas outra palavra, e sendo um advérbio, coloca além de qualquer questão que esse período não possui tal significado ali.
O Grego é igualmente preciso. A Septuaginta tem em Lv 26, heptakis, que é um advérbio, significando sete vezes. Em Dn 4:16, 25, para os sete tempos de Nabucodonosor não temos heptakis, o advérbio, mas heptakairoi, um substantivo e seu adjetivo. E em todos os casos onde a palavra tempo ocorre, denotando um período profético, como em Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14, ela provem do substantivo kairos. Tal coisa como um período profético baseado em um advérbio não é encontrada.
Desse modo então, não existe período profético em Lv 26; e aqueles que imaginam que existe tal coisa, e estão se complicando com o ajuste de suas várias datas, estão simplesmente golpeando o ar. Ignorar, ou tratar com negligência, um período profético onde ele é claramente apresentado, é censurável ao extremo. É igualmente fútil, embora não tão infame, um processo, de se esforçar para criar um onde não existe. (Tiago White, “Os Sete Tempos de Lv 26,” Review and Herald, 26 de Janeiro de 1864).